No novo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), está a terceira edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (Irbes), divulgado em agosto de 2025. Esse indicador cruza dados para mostrar com clareza como cada estado transforma os impostos arrecadados em melhorias reais para a população.

O levantamento considera o uso exclusivo dos tributos estaduais – não leva em conta os repasses federais – e combina dois indicadores: a carga tributária aplicada sobre o PIB de cada estado, com peso de 15%, e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com peso muito maior, de 85%.
Sul e Sudeste na frente, Norte e Nordeste atrás
O Distrito Federal ocupa o topo do ranking com folga, atingindo 182,33 pontos e se sobressaindo em relação aos demais estados. A seguir aparecem São Paulo, com 176,29; o Rio de Janeiro, com 176,07; Santa Catarina, com 172,44; e o Rio Grande do Sul, com 172,11.
Levantamentos anteriores já indicavam que as regiões Sul e Sudeste destacam-se na aplicação eficiente dos recursos públicos. Porém, a nova edição reforça esse padrão com dados de 2022 — mostrando que o Nordeste e o Norte, apesar de terem potencial econômico, ainda enfrentam desafios para transformar arrecadação em qualidade de vida para a população.
O secretário-executivo da entidade, João Eloi Olenike destaca que estados da região Norte e Nordeste têm menor base tributária, dependem mais da agricultura ou de atividades primárias, enquanto o Sul e Sudeste contam com economias mais diversificadas e robustas.
Cidades como o Distrito Federal se beneficiam de uma carga tributária mais baixa — 3,68% do PIB — e ainda conseguem apresentar bom desempenho social, graças ao forte peso do IDH no índice. Em contraste, estados como Maranhão, Pará e Bahia, embora arrecadem mais proporcionalmente, não conseguem traduzir esse volume em ganhos sociais equivalentes.
Disparidade regional e comparação global
O ranking de desempenho social, por estado, traz uma clara divisão regional:
| Estado/Região | Posição/ Irbes | Destaque |
| Distrito Federal (Centro-Oeste) | 1º (182,33) | Menor carga tributária e IDH alto |
| São Paulo (Sudeste) | 2º (176,29) | Economia forte, grande arrecadação |
| Rio de Janeiro (Sudeste) | 3º (176,07) | Infraestrutura consolidada |
| Santa Catarina (Sul) | 4º (172,44) | Educação e saúde com bons índices |
| Rio Grande do Sul (Sul) | 5º (172,11) | Equilíbrio entre arrecadação e IDH |
| Maranhão, Pará, Bahia (Norte/Nordeste) | Últimos lugares | Alta carga, retorno insuficiente |
Ao comparar o Brasil com outros países de alta carga tributária (como Irlanda, Suíça e Estados Unidos), o cenário é ainda mais preocupante: o país volta a ocupar a última posição global em retorno do imposto à população — e essa é a 14ª vez consecutiva que isso ocorre.
Especialistas apontam que o país enfrenta um paradoxo: tributos “de primeiro mundo”, em volume, mas serviços públicos de qualidade incompatível com esse nível de arrecadação. O Brasil tem carga tributária de cerca de 33% do PIB, mas IDH de apenas 0,786 — ainda classificado como médio.
Caminhos para melhorar o retorno dos impostos
O alerta do IBPT é claro: sem reformas na gestão pública, sem reduzir desperdícios e sem combater a corrupção, o retorno à população não melhorará significativamente. O estudo sugere que uma aplicação mais inteligente dos recursos em saúde, educação e infraestrutura é o caminho para reverter esse quadro.
Mesmo com a economia frágil, vários estados do Norte e Nordeste registram melhoria gradual em indicadores como IDH. Amazonas, por exemplo, centrou esforços em educação e saúde e, como reflexo, escalou posições: saiu da última para o 22º lugar no ranking.
Em contraponto, estados como Pará apresentaram queda significativa: despencou do 16º para o 26º lugar no ranking nacional.
O estudo mapeia o ciclo pernicioso: menos arrecadação ou arrecadação mal aplicada leva a IDH baixo, o que reforça a dificuldade em gerar desenvolvimento humano. Isso agrava a desigualdade regional e mantém milhões longe de melhores condições de vida.
Portanto, a conclusão é clara: o desafio brasileiro está menos no volume de recursos e mais na habilidade de aplicá-los com eficácia, rumo a estados e um país mais justos e desenvolvidos.


