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Uma operação de contrastes: a Faria Lima e as favelas

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A quinta-feira, 28 de agosto, amanheceu de forma diferente na Faria Lima, em São Paulo. Não houve tiros, helicópteros sobrevoando ou o som de sirenes ensurdecedoras. A tranquilidade da área financeira de São Paulo foi quebrada por uma operação policial discreta, mas de impacto monumental. Enquanto nas periferias do país o termo “operação policial” muitas vezes se traduz em violência, na meca do mercado financeiro, a ação foi cirúrgica.

Denominada “Carbono Oculto”, coordenada pelo MP-SP e a Polícia Federal, a ação desnudou uma movimentação de R$ 52 bilhões em fraudes no setor de combustíveis, com R$ 7,6 bilhões em sonegação e até um “banco paralelo” de R$ 46 bilhões fora do sistema oficial, números que expõe a face mais obscura do capital.

Fraude bilionária na Faria Lima mostra que o crime também veste terno e circula entre planilhas.
Faria Lima tem 42 alvos em operação contra o crime organizado | Foto: Reprodução/ Flickr/ S.Pereira-Nunes

Mas este não é apenas mais um caso de corrupção. É mais um retrato da sofisticação do crime em sua interação com o mercado formal. Enquanto nas manchetes o crime é associado a furtos e assaltos, a realidade é que as maiores fortunas ilegais se movimentam nos bastidores, por estruturas complexas e aparentemente legítimas.

O esquema bilionário envolvia a utilização de empresas de fachada, com a participação de distribuidoras, transportadoras, usinas sucroalcooleiras e até fundos de investimento. Essa teia de negócios, à primeira vista, parece fazer parte do fluxo normal da economia. Mas é justamente essa formalidade que permite a lavagem de dinheiro em escala industrial, transformando o que é ilícito em capital “limpo”.

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Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

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