A percepção de confiança no emprego atingiu o maior nível desde junho de 2025. No trimestre encerrado em julho de 2026, 59,3% dos trabalhadores disseram considerar improvável ou muito improvável perder o principal emprego ou fonte de renda nos seis meses seguintes.
Os dados fazem parte da 14ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho, realizada pelo FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
O levantamento mostra também que apenas 12,1% dos trabalhadores consideravam provável ou muito provável perder a principal ocupação no período. Os demais não souberam responder.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a parcela dos trabalhadores que não enxergava risco de perder sua principal fonte de renda aumentou 4,9%.

Maioria têm confiança de que não vai perder o trabalho
O resultado mostra uma percepção mais positiva entre os trabalhadores em relação à estabilidade da própria renda. A parcela que considerava improvável ou muito improvável perder o emprego chegou a 59,3%, maior percentual registrado desde o começo da série.
Na outra ponta, 12,1% avaliavam que a perda da principal ocupação era provável ou muito provável nos seis meses seguintes. A diferença entre os dois grupos indica que uma parcela maior dos entrevistados não esperava uma mudança negativa na situação profissional.
O levantamento considera como principal fonte de renda a ocupação que representa a principal referência financeira para o trabalhador.
Mercado de trabalho segue com desemprego baixo
Mesmo diante de uma possível desaceleração da economia, o desemprego continua em níveis historicamente baixos e o número de pessoas ocupadas segue crescendo.
A avaliação é de que esse cenário pode continuar nos próximos meses, embora em um ritmo menos intenso durante o segundo semestre. Dessa forma, a percepção positiva sobre a permanência no emprego ocorre em um momento de mercado de trabalho ainda favorável, apesar da possibilidade de perda de força da economia.
A pesquisa ressalta, porém, que a série histórica ainda é curta e não possui ajuste para efeitos sazonais. Essas variações são mudanças que podem ocorrer normalmente em determinados períodos do ano e, por isso, comparações entre meses próximos precisam ser analisadas com cautela.
Desemprego caiu em 13 estados
Os dados sobre a percepção dos trabalhadores acompanham um período de queda no desemprego em parte do país. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira, 14 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação recuou em 13 estados no segundo trimestre de 2026.
No Brasil, o indicador ficou em 5,4% entre abril e junho. O resultado foi menor que os 6,1% registrados no primeiro trimestre deste ano e também ficou abaixo dos 5,8% observados no segundo trimestre de 2025.
Os números ajudam a contextualizar o recorde de percepção de segurança no emprego apontado pela FGV. Ao mesmo tempo em que o desemprego permanece baixo e o número de ocupados continua crescendo, a maioria dos trabalhadores entrevistados não considera provável perder sua principal fonte de renda nos seis meses seguintes.


