O sistema de pagamentos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, teve destaque no encontro entre autoridades e empresários brasileiros e mexicanos realizado na última quinta-feira, 28 de agosto, na Cidade do México.
Embora a missão chefiada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, tivesse como pauta oficial o aumento do comércio e de investimentos — com biocombustíveis entre os destaques —, o interesse de executivos e gestores públicos acabou se voltando para a experiência brasileira em pagamentos instantâneos.

A agenda de Alckmin, que vai até esta quinta-feira, 28 de agosto, busca estreitar relações políticas e abrir portas para negócios entre as duas maiores economias da América Latina, com a presença de mais de 100 empresários e representantes do governo. Houve assinatura de memorandos para avançar em agropecuária, biocombustíveis, fortalecimento comercial e atração de investimentos — movimento que prepara terreno para projetos conjuntos e troca de conhecimento.
Pix virou o centro da conversa
Pix é um jeito simples e rápido de transferir dinheiro e fazer pagamentos, pelo celular, a qualquer hora e dia, com confirmação em segundos. Em vez de digitar dados de agência e conta, usa-se uma “chave” (telefone, e-mail, CPF/CNPJ) ou um QR code. O dinheiro sai de uma conta e chega à outra na mesma hora, o que os técnicos chamam de “liquidação instantânea”. No Brasil, a ferramenta já faz parte da rotina de milhões de pessoas e movimenta trilhões de reais por ano, reduzindo a necessidade de dinheiro vivo e, muitas vezes, substituindo o uso do cartão.
Esse histórico chamou a atenção das autoridades mexicanas que, durante o fórum empresarial, procuraram entender o funcionamento operacional do Pix e suas regras de segurança. O interesse surgiu após reuniões na semana passada entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o chanceler mexicano, Juan Ramón de la Fuente, e José Antonio Peña Merino, chefe da Agência de Transformação Digital e Telecomunicações do México. Desse diálogo saiu um memorando de entendimento — um documento que registra a intenção de cooperação — para impulsionar o desenvolvimento de sistemas de pagamento digital inspirados no modelo brasileiro.
O acordo não significa que o Pix chegará rapidamente ao México, já que cada país tem leis, infraestrutura e prioridades próprias. A proposta é trocar experiências, códigos de boas práticas e soluções que possam ser adaptadas ao cenário mexicano.
Benefícios práticos da cooperação Brasil–México
Para quem usa o serviço no dia a dia, a principal promessa é facilidade. Transferências e pagamentos acontecem em segundos, sem depender de horários de bancos. Pessoas que hoje não têm conta ou que evitam serviços financeiros devido a tarifas e burocracia passam a contar com uma porta de entrada simples: abrir uma conta digital, cadastrar uma chave e pagar com QR code em mercados, feiras e pequenos comércios. Essa inclusão traz segurança e documentação das transações, o que ajuda a comprovar renda e acessar crédito.
Do ponto de vista do governo, sistemas inspirados no Pix permitem pagamentos e recebimentos mais eficientes. Benefícios sociais, bolsas de estudo e reembolsos chegam direto ao celular do cidadão, reduzindo filas, deslocamentos e custos operacionais. No outro sentido, tributos e taxas podem ser recolhidos em tempo real, com menos inadimplência e mais transparência
Outro efeito esperado, olhando um passo à frente, é facilitar pagamentos entre países no futuro. Se Brasil e México avançarem em padrões técnicos compatíveis, remessas de trabalhadores, compras online e despesas de turistas podem se tornar mais baratas e rápidas. Isso exige regras específicas e proteções contra golpes, mas a cooperação atual já aponta nessa direção ao alinhar conceitos e tecnologias.
A parceria ainda dialoga com outras frentes da missão, como os projetos em biocombustíveis e agro precisam, que precisam de investimento, logística e contratos. Uma rede de pagamentos eficiente reduz problemas, dá previsibilidade e atrai mais investimentos. Se o memorando prosperar, o México poderá encurtar caminho na construção de uma infraestrutura moderna de pagamentos, enquanto o Brasil consolida sua liderança regional em inovação financeira.

