A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,6% no trimestre encerrado em agosto, conforme os dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 30 de setembro. Esse percentual se manteve estável em relação ao trimestre anterior, mas representa uma melhora em comparação com os números do ano passado, quando estava em 6,6%.

Menor taxa de desemprego desde 2012
O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) apontou que 6,084 milhões de pessoas estavam sem trabalho no período. Esse é o menor número já registrado desde o início da pesquisa, em 2012. Em comparação com o trimestre anterior, são 605 mil pessoas a menos em busca de emprego, o que representa uma queda de 9%. Já em relação ao mesmo período de 2024, a redução foi de cerca de 1 milhão de pessoas, ou 14,6%.
Mesmo com essa melhora, ainda existe uma parte da população que enfrenta dificuldade para encontrar vaga no mercado de trabalho. Essa situação é mais grave para pessoas com menor escolaridade, que têm menos acesso a empregos formais e acabam dependendo de atividades sem registro.
Recorde de trabalhadores com carteira assinada
No trimestre, a população ocupada alcançou o número de 102,4 milhões de pessoas, o maior já registrado. Dentro desse total, o destaque foi para os trabalhadores com carteira assinada no setor privado (sem contar os empregados domésticos), que chegaram a 39,1 milhões. Esse é também um recorde da série histórica do IBGE.
O número de empregados com carteira não teve mudanças em relação ao trimestre anterior, mas cresceu 3,3% no ano. Isso significa que mais 1,2 milhão de brasileiros conseguiram empregos formais em 2025.
Dois setores se destacaram nesse aumento:
- Administração pública, saúde, educação e serviços sociais, que abriram 323 mil vagas;
- Agricultura, pecuária, pesca e atividades ligadas, com mais 333 mil trabalhadores.
Por outro lado, os serviços domésticos tiveram queda de 3%, o que representa 174 mil pessoas a menos nesse tipo de atividade. Segundo o IBGE, em momentos de crise muitas pessoas recorrem ao trabalho doméstico para ter renda, mas agora, com mais oportunidades em outras áreas, há uma migração para empregos com melhores salários e condições.
Informalidade volta a crescer
Embora os dados mostrem recordes de emprego formal, a informalidade também avançou. No trimestre, 38% da população ocupada estava em situação informal, o que representa 38,9 milhões de pessoas. Esse número é ligeiramente maior do que no trimestre anterior, quando eram 38,6 milhões, e mostra estabilidade em relação a agosto de 2024.
O aumento foi puxado principalmente pelos trabalhadores por conta própria sem CNPJ, que chegaram a 19,1 milhões. Esse grupo cresceu 1,9% em relação ao trimestre anterior e 2,9% na comparação com 2024.
Segundo o IBGE, muitos brasileiros escolhem ou são empurrados para o trabalho autônomo, em especial aqueles com menor nível de escolaridade. Essas pessoas atuam, em geral, em atividades ligadas ao comércio e à alimentação, como venda de comida nas ruas, pequenas barracas, salões de beleza em casa ou transporte por aplicativos.
Uma parte dos chamados desalentados — aqueles que desistiram de procurar trabalho por não encontrar vaga — pode ter migrado para esse tipo de ocupação, encontrando na informalidade uma forma de garantir renda, mesmo sem a segurança de benefícios como férias, décimo terceiro salário e aposentadoria.
Subutilização e desalento também caem
Outro ponto importante mostrado pela pesquisa foi a taxa de subutilização da força de trabalho, que ficou em 14,1%. Esse é o menor percentual desde 2012. O índice mede não apenas os desempregados, mas também aqueles que trabalham menos horas do que gostariam ou que estão disponíveis para trabalhar, mas não conseguem emprego. No total, 16 milhões de pessoas estão nessa condição.
Na comparação com o trimestre anterior, a subutilização caiu 0,8 ponto percentual, e em relação ao ano passado, a queda foi de 1,9 ponto.
O desalento, que reúne pessoas que desistiram de procurar trabalho, também mostrou redução. O número de desalentados está em 2,7 milhões, o que representa 2,4% da população em idade de trabalhar. Esse dado é 0,2 ponto percentual menor do que no trimestre anterior e 0,4 ponto abaixo do mesmo período de 2024.
Perfil do mercado de trabalho brasileiro
A pesquisa ainda mostrou detalhes sobre como os brasileiros estão ocupados hoje:
- 39,1 milhões de empregados com carteira assinada;
- 13,5 milhões de empregados sem carteira assinada;
- 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria;
- 38,9 milhões de pessoas em situação de informalidade;
- 5,6 milhões atuando em serviços domésticos, número menor do que no trimestre anterior.
O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade ativa que estão trabalhando, atingiu 58,8%. Esse resultado mostra uma leve melhora em relação ao trimestre anterior, com aumento de 0,2 ponto percentual.
Mesmo com avanços nos empregos formais, os números da informalidade mostram que boa parte da população ainda não tem acesso a trabalhos com carteira assinada. Isso reforça as dificuldades enfrentadas por milhões de brasileiros que precisam se manter no mercado de forma precária, muitas vezes sem direitos trabalhistas garantidos.