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Isenção de tarifa dos EUA sobre celulose alivia setor brasileiro

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Recentemente, os Estados Unidos excluíram a celulose brasileira da chamada tarifa recíproca de 10%, criada pelo governo Donald Trump em abril de 2025. Essa medida foi formalizada em ordem executiva publicada em 5 de setembro, com entrada em vigor após divulgação no Federal Register em 10 de setembro.

A celulose já estava isenta da sobretaxa adicional de 40% aplicada a muitos outros produtos brasileiros a partir de agosto. A nova isenção cobre três códigos tarifários específicos — referentes à celulose de coníferas e não coníferas (códigos 4703.11.00, 4703.21.00 e 4703.29.00) — e esses itens representam cerca de 90% das vendas brasileiras de celulose para os EUA.

Celulose brasileira: exportações atingem cerca de US$ 7 bilhões até agosto; isenção de tarifa de 10 % pelos EUA oferece alívio para empresas do setor | Foto: Reprodução/Canva
Celulose brasileira: exportações atingem cerca de US$ 7 bilhões até agosto; isenção de tarifa de 10 % pelos EUA oferece alívio para empresas do setor | Foto: Reprodução/Canva

Exportações brasileiras de celulose: volume e valores

Até agosto de 2025, o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões em celulose para o exterior, segundo dados da balança comercial publicados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse valor representa um crescimento de 1,4% em comparação com igual período de 2024.

Em quantidade, houve um salto ainda maior de 15,6% no mesmo comparativo anual, evidenciando que, embora os preços globais do insumo estejam em queda, o volume exportado permitiu compensar parte da variação de valores.

Benefícios diretos para o setor madeireiro

A isenção da tarifa de 10% permite ao setor exportador de celulose retomar competitividade frente aos produtos concorrentes importados nos Estados Unidos. Empresas como Suzano e Eldorado Brasil, principais produtoras brasileiras de celulose, estavam entre as mais afetadas pelas tarifas. Com a exclusão decretada, esses empreendimentos passaram a ter margens mais seguras de negociação no mercado americano.

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O setor também vinha reclamando dos impactos adversos: queda no valor das exportações brasileiras para os EUA de 15,2% em valor e 8,5% em volume entre janeiro e maio de 2025, motivada pelas tarifas implementadas. A retirada da tarifa recíproca deve atenuar essas perdas.

Efeitos mais amplos na economia brasileira

Além de beneficiar diretamente as empresas exportadoras, a isenção pode gerar efeitos em cadeia. Com exportações de celulose mais estáveis, o Brasil pode:

  • Manter empregos no setor florestal, produção e logística, já que quedas de demanda ou margens apertadas tendem a afetar mão-de-obra contratada.
  • Proteger receitas cambiais, uma vez que exportações contribuíram com US$ 6,9 bilhões (cerca de R$ 35-40 bilhões, dependendo da cotação do dólar) até agosto.
  • Amenizar pressões sobre o PIB, diante das estimativas de perdas advindas do “tarifaço” dos EUA, que podem chegar a valores expressivos segundo estudos setoriais.

Riscos e incertezas que permanecem

Apesar da isenção, o setor ainda enfrenta desafios:

  • A queda nos preços globais da celulose pode limitar ganhos, mesmo com volume maior exportado.
  • A tarifa-recíproca retirada é apenas parte das tarifas impostas pelo governo americano; produtos próximos, como papéis em geral e painéis de madeira, seguem sujeitos a tarifas elevadas.
  • Alterações futuras nas políticas tarifárias dos EUA ou retaliações podem gerar novos obstáculos para exportadores brasileiros.

Panorama final sobre a isenção

A decisão de excluir a celulose da tarifa de 10% adiciona uma folga para o setor produtor brasileiro. O impacto será sentido nas exportações, no comércio bilateral e na estratégia de produção, especialmente para empresas com grande participação do mercado externo.

A isenção fortalece a posição do Brasil como fornecedor global de celulose e pode servir de exemplo para negociações futuras em outros setores afetados pelas tarifas.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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