IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Galípolo alerta: mais crédito pode aumentar dívida das famílias

Por

·

O aumento da oferta de crédito pode ajudar famílias e empresas a financiar compras, organizar as contas e manter o consumo, mas também traz um efeito que preocupa o Banco Central: o crescimento do endividamento.

Galípolo alerta: mais crédito pode aumentar dívida das famílias
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chamou atenção para essa relação durante um evento com representantes do setor financeiro | Foto: Reprodução / Wikimedia

Durante evento, Gabriel Galípolo comentou que não faz sentido comemorar o aumento dos empréstimos concedidos e, ao mesmo tempo, tratar o avanço das dívidas como um problema separado.

Quando bancos aumentam o volume de dinheiro emprestado, o estoque de dívidas das famílias e das empresas também cresce. Por isso, para o Banco Central, não basta acompanhar quanto crédito está sendo liberado, também é preciso observar se quem toma o dinheiro terá condições de pagar as parcelas.

Mais empréstimos também significam mais dívidas

O crédito tem papel importante na economia porque permite antecipar uma compra ou um investimento que não caberia no orçamento naquele momento. Um financiamento pode, por exemplo, permitir a aquisição de um bem de maior valor, enquanto um empréstimo pode ajudar uma empresa a manter suas atividades.

O problema aparece quando o aumento dos empréstimos vem acompanhado de dificuldade para quitar as parcelas. Nesse caso, o consumidor ou empresário pode acabar recorrendo a novas dívidas para pagar compromissos anteriores, aumentando a pressão sobre o orçamento.

Foi justamente essa relação que Galípolo destacou. Para o presidente do BC, a expansão das carteiras de crédito, que são um conjunto de empréstimos e financiamentos concedidos pelas instituições, precisa ser analisada junto com o nível de endividamento de quem recebe esses recursos.

A qualidade dos empréstimos também importa. Um mercado que concede mais crédito, mas concentra operações entre pessoas ou empresas com pouca capacidade de pagamento, pode enfrentar problemas maiores de atraso no futuro.

Juros altos aumentam o peso das parcelas

O alerta ocorre em um momento em que a taxa Selic permanece elevada. A Selic é a principal taxa de juros do país e influencia o custo de diversas operações de crédito.

Quando os juros estão altos, tomar dinheiro emprestado tende a ficar mais caro. Isso pode aumentar o valor pago ao longo de um financiamento ou empréstimo e dificultar a reorganização das contas de quem já possui dívidas.

Por isso, o Banco Central acompanha não apenas o crescimento do crédito, mas também os atrasos nos pagamentos e a capacidade financeira dos tomadores.

Entre as modalidades que exigem maior atenção estão o cartão de crédito rotativo e o cheque especial, que apresentam taxas de inadimplência mais elevadas. No rotativo, o cliente não paga o valor total da fatura e financia o restante. Já o cheque especial permite utilizar um limite adicional da conta, também com cobrança de juros.

Essas opções podem resolver uma falta de dinheiro no curto prazo, mas podem pesar bastante quando o saldo utilizado permanece por muito tempo.

Banco Central acompanha risco de inadimplência

O crescimento do crédito não é visto pelo Banco Central como algo necessariamente negativo. A preocupação está em evitar que uma expansão muito forte gere um aumento de dívidas que as famílias e empresas não consigam pagar.

A inadimplência é um dos sinais acompanhados pela autoridade monetária. Um aumento significativo dos atrasos pode afetar tanto consumidores e empresas quanto os próprios bancos.

Por esse motivo, as instituições financeiras precisam avaliar a capacidade de pagamento de quem solicita um empréstimo. O Banco Central também mantém regras de supervisão para reduzir riscos e preservar a segurança do sistema financeiro.

A autoridade monetária tem sinalizado ainda que estímulos ao consumo e à procura por produtos e serviços podem manter a atividade econômica em um nível elevado por mais tempo. Isso pode dificultar o trabalho de uma política de juros mais restritiva, adotada para conter pressões sobre os preços.

O que o alerta significa para quem precisa de crédito?

Para quem depende de empréstimos ou financiamentos, a principal mensagem é observar o custo total da dívida, e não apenas o valor que será recebido.

Uma parcela que parece caber no orçamento pode se tornar pesada quando somada a outras prestações, contas fixas e gastos do mês. Por isso, antes de assumir uma nova dívida, é importante considerar quanto da renda ficará comprometido durante todo o período de pagamento.

O mesmo cuidado vale para empresas. Um negócio pode usar crédito para comprar equipamentos, manter o caixa ou financiar sua expansão, mas precisa avaliar se terá receita suficiente para pagar a dívida.

Galípolo também reforçou a necessidade de acompanhar a saúde financeira de famílias e empresas enquanto as carteiras de crédito crescem. Para o Banco Central, uma expansão sustentável depende de empréstimos concedidos a quem tenha condições de honrar os compromissos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade