A Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) está promovendo o 46º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, em São Paulo. O encontro é apontado como o maior da área no país e reúne cerca de 4.500 profissionais, entre gestores, consultores, patrocinadores e entidades de fundos de pensão. Entre os temas abordados estão a longevidade, o impacto da curva de juros e o futuro do trabalho frente à previdência complementar.

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Panorama atual do setor e números-chave foram discutidos durante o Congresso
Durante o evento, o Ministério da Previdência Social (MPS) destacou que o patrimônio das entidades de previdência complementar fechada (EFPC) já ultrapassa o montante de R$ 3,11 trilhões, o equivalente à cerca de 25% do PIB brasileiro. No acumulado dos últimos 12 meses, as EFPC pagaram cerca de R$ 103,2 bilhões em benefícios para aproximadamente 950 mil aposentados e assistidos.
Esses números mostram a relevância econômica do setor e por que o encontro da Abrapp assume importância para as classes C e D, que dependem de aposentadorias e de entidades patrocinadoras.
Debates centrais: juros, longevidade e cobertura
No congresso, quatro painéis principais foram destacados:
- “O futuro do trabalho e a previdência: a construção de acordos sustentáveis para as próximas gerações”, que analisa novas formas de emprego, tecnologia e modelos coletivos de previdência.
- “Excelência em gestão de riscos: perguntas valiosas”, que discute adaptação das entidades de previdência às melhores práticas de governança e controle.
- “Longevidade digna e segura”, abordando o impacto do aumento da expectativa de vida sobre fundos de pensão, que precisam oferecer mais do que apenas o benefício de aposentadoria.
- “Curva de juros em foco: o peso do risco fiscal”, que conecta política monetária, risco fiscal, preços de títulos e spreads de crédito (diferença entre a taxa de retorno de um ativo de crédito e a taxa de um título considerado livre de risco, como um título do governo), com prazos semelhantes ao futuro dos investimentos das EFPC.
A queda da taxa básica de juros e a necessidade de retorno mais alto para dar conta das obrigações são questões diretamente relacionadas ao universo dos fundos de previdência.
Relevância para participantes e o público geral
Para trabalhadores das classes C e D, a expansão da previdência complementar representa uma via de complemento à aposentadoria pública. O acesso, entretanto, segue limitado. Durante o evento, autoridades enfatizaram a universalização da previdência complementar como política pública.
O MPS, por exemplo, ressaltou a importância da educação previdenciária e do estímulo à participação de mulheres no setor.
O desafio é que muitos brasileiros ainda não aderiram a planos de previdência complementar ou sequer consideram essa modalidade para o futuro. Em um segmento em que o patrimônio ultrapassa trilhões de reais, chamar a atenção para quem continua fora é publicidade de longo prazo.
Implicações financeiras e para investimento
As entidades de previdência complementar precisam garantir rentabilidade, segurança e liquidez para honrar compromissos futuros. Em ambiente de taxas de juros elevadas e risco fiscal, isso afeta a performance dos fundos. O painel dedicado ao “mercado de crédito” e “curva de juros” reforça essa preocupação. Isso significa que as contribuições e os retornos devem ser avaliados com atenção. A diferença entre um fundo bem gerido e outro que não se adapta pode implicar em benefícios mais baixos ou custos maiores no futuro.
Tendências e transformações no setor de acordo com o Congresso
Algumas mudanças estudadas incluem a adoção automática de novos empregados nos planos de previdência complementar (inscrição automática) e questões de tributação mais flexível. Uma resolução permite que participantes escolham o regime de tributação (progressivo ou regressivo) no momento do resgate ou aposentadoria.
Outra tendência é a certificação profissional — o instituto ICSS (Instituto de Certificação em Seguridade Social) relatou que 80% dos profissionais do setor já têm algum tipo de certificação, apontando uma exigência maior de qualificação e governança nas EFPC.
Essas mudanças dialogam ao mesmo tempo com a busca por transparência, eficiência e captação de novos participantes.


