Diferenças sociais ampliam o tempo de viagem
Os dados do Censo também mostram que o tempo de deslocamento varia conforme renda, cor e escolaridade. Entre quem ganha até meio salário mínimo (R$ 606, em valores de 2022), 38% levam mais de uma hora até o local de trabalho. Já entre os que recebem mais de cinco salários mínimos (R$ 6.060), esse percentual cai para 12%.
A desigualdade também aparece quando se observa a cor da pele. Entre trabalhadores brancos, um em cada quatro (25%) gasta mais de uma hora no trajeto. Entre pretos, a proporção sobe para 36%. A diferença é de 11 pontos percentuais, maior do que a média nacional, que é de 7 pontos.
O nível de estudo também influencia. Entre pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, 37% levam mais de uma hora até o trabalho. Entre quem concluiu o ensino superior, esse número é de 22%.
Essas diferenças mostram como o tempo gasto no transporte está ligado à desigualdade urbana. Moradores de áreas periféricas, com renda menor e menos acesso a oportunidades, acabam levando mais tempo para chegarem ao trabalho.


