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Entenda como operação contra facção criminosa se tornou a mais letal da história do RJ

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A Operação Contenção, que ocorreu na última terça-feira, 28 de outubro, pelas Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, contra o Comando Vermelho (facção criminosa do estado) já é considerada a mais letal da história do estado. Até o fim da tarde desta quarta-feira, 29 de outubro, o número de mortos confirmados era de 132 pessoas, incluindo 128 civis e quatro policiais.

O número, que ainda pode crescer, supera o recorde anterior registrado em 2021, durante a operação do Jacarezinho, que deixou 28 mortos, segundo dados do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF).

Com o objetivo de conter o avanço territorial da facção Comando Vermelho (CV) e cumprir cerca de 100 mandados de prisão, a ação mobilizou aproximadamente 2.500 agentes e se concentrou nas comunidades dos Complexos do Alemão e da Penha, zonas consideradas estratégicas para o tráfico de drogas na capital fluminense.

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O silêncio que tomou conta das ruas do Alemão e da Penha após horas de confronto revela o peso social e econômico da operação mais letal do Rio | Foto: Reprodução/Wikipedia

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O silêncio que tomou conta das ruas do Alemão e da Penha após horas de confronto revela o peso social e econômico da operação mais letal do Rio | Foto: Reprodução/Wikipedia

Ações simultâneas e reação violenta

As investigações que deram origem à operação duraram mais de um ano e foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Durante a ofensiva, 113 pessoas foram presas, entre elas um suspeito apontado como operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, um dos líderes do Comando Vermelho.

Os confrontos, descritos por moradores como uma “zona de guerra”, deixaram diversos feridos. Três moradores atingidos por balas perdidas foram socorridos ao Hospital Getúlio Vargas, e pelo menos dois policiais foram baleados durante os tiroteios. Imagens registradas por veículos de imprensa mostraram áreas com chamas e intensa fumaça, além de longas trocas de tiros nas ruas e vielas das comunidades.

Histórico de letalidade em operações policiais contra facção no Rio

Com o número de mortes já confirmado, a Operação Contenção supera todas as outras ações policiais letais do estado. Segundo levantamento do Geni/UFF, as maiores operações anteriores foram:

  • Operação no Jacarezinho (maio de 2021) – 28 mortos
  • Operação na Penha (maio de 2022) – 23 mortos
  • Operação no Alemão (junho de 2007) – 19 mortos
  • Operação no Alemão (julho de 2022) – 17 mortos

O aumento na letalidade dessas ações tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos e de especialistas em segurança pública. Em nota, a Anistia Internacional Brasil afirmou que o número de mortes é “inaceitável” e pediu que o governo do estado garanta investigações independentes sobre as circunstâncias dos óbitos.

Impacto social e econômico da violência

Além das mortes, o impacto da operação foi sentido em diversas áreas da cidade. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), as paralisações nas zonas norte e central afetaram cerca de 400 estabelecimentos comerciais e industriais, resultando em perdas estimadas em R$ 35 milhões somente nas primeiras 24 horas da operação.

As interrupções no transporte público também agravaram o cenário. O MetrôRio precisou suspender parcialmente o funcionamento de estações próximas às comunidades, enquanto linhas de ônibus que cruzavam a região foram desviadas. O custo médio do transporte urbano aumentou temporariamente em 7% devido à alta no consumo de combustível e à necessidade de rotas alternativas, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para a população local, o medo e o isolamento se somam à perda de renda. Em comunidades como a da Penha, onde a renda média domiciliar é de R$ 1.630, de acordo com dados do IBGE, o fechamento do comércio informal e de pequenos serviços representa dias sem trabalho e sem ganho.

O desafio da segurança pública no estado

O governo do Rio de Janeiro afirmou, em nota oficial, que a operação representa um marco no combate ao crime organizado e que “não há espaço para recuo diante de facções que desafiam o Estado”. Já entidades da sociedade civil destacam que ações dessa magnitude expõem a fragilidade das políticas públicas de segurança e o risco para moradores das favelas.

O Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) aponta que, entre janeiro e setembro de 2025, o estado já registrava 1.037 mortes por intervenção policial, um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. A tendência de crescimento preocupa pesquisadores, que veem no padrão de operações letais um desafio à construção de estratégias mais preventivas e integradas.

Sem previsão de encerramento completo das buscas, a Operação Contenção permanece ativa em diversos pontos da capital fluminense, com reforço de tropas federais e monitoramento das rotas de fuga da facção.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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