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ONU: países estão dispostos a financiar reconstrução de Gaza

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De acordo com a ONU, há indícios de que vários países estejam dispostos a contribuir para o fundo de US$ 70 bilhões destinados à reconstrução de Gaza após anos de conflito. A cifra equivaleria, com câmbio de referência de cerca de R$ 5,00 por dólar (variação cambial conforme mercado), a aproximadamente R$ 350 bilhões. A declaração foi feita por Jaco Cilliers, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em coletiva de imprensa em Genebra, cidade na Suíça.

ONU revela que um acordo de paz pode criar oportunidades de recuperação econômica sustentável para Gaza e países vizinhos | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
ONU revela que um acordo de paz pode criar oportunidades de recuperação econômica sustentável para Gaza e países vizinhos | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Estimativa de destruição e urgência da reconstrução

Jaco Cilliers afirmou que a guerra entre Israel e Hamas, que já dura cerca de dois anos, teria gerado pelo menos 55 milhões de toneladas de entulho. Ele destacou que os sinais de interesse financeiro internacional são “muito bons”, embora não tenha detalhado compromissos concretos.

Segundo dados das autoridades de saúde de Gaza, os bombardeios teriam causado cerca de 68.000 mortes no território palestino durante o período do conflito. Desde que entrou em vigor um acordo de cessar-fogo, muitos palestinos começaram a retornar às áreas destruídas, mas encontram um cenário de devastação generalizada.

Leia também: Após libertação dos últimos reféns, cessar-fogo em Gaza entra em nova fase e acordo

Principais sinais de apoio internacional de acordo com a ONU

Países como Estados Unidos, Canadá e diversas nações árabes e europeias teriam manifestado interesse em financiar a reconstrução. Em março de 2025, quatro países europeus — França, Alemanha, Itália e Reino Unido — já haviam expressado apoio a um plano árabe para reconstrução, estimado então em US$ 53 bilhões (cerca de R$ 265 bilhões, considerando câmbio médio).

Esse plano árabe previa a criação de um comitê administrativo de tecnocratas palestinos para governar Gaza temporariamente, sob supervisão externa. No entanto, esse modelo foi rejeitado por Israel e pelo governo dos Estados Unidos, que apresentou proposta alternativa.

Desafios para transformar promessas em recursos

Embora os sinais sejam positivos, vários obstáculos permanecem. Não há, até o momento, compromisso formal de países com valores específicos para a reconstrução.

O montante estimado para reconstrução é elevado e deverá ser aplicado ao longo de anos, com riscos de atrasos e dificuldades logísticas em um território com infraestrutura comprometida.

Outra barreira é política: as visões divergentes sobre quem vai coordenar Gaza no pós-guerra — Hamas, Autoridade Palestina ou um novo órgão — ainda são objeto de disputa diplomática.

Além disso, a reparação dependerá também da segurança e estabilidade no terreno: se houver novos confrontos, os projetos poderão ser ameaçados.

Implicações para a economia global e regional

Se o montante de US$ 70 bilhões for convertido a R$ 350 bilhões, esse valor representa compromisso considerável de recursos globais para um só território devastado.

Para países do Norte, esse apoio pode se refletir em projetos de empresas de engenharia, construção e fornecimento de materiais. Para nações árabes vizinhas — que já participam de debates e planos — é também uma oportunidade de protagonismo regional.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que um acordo de paz pode criar oportunidades de recuperação econômica sustentável para Gaza e países vizinhos como Egito e Jordânia. Por exemplo, o Egito projeta crescimento do PIB real de 4,3% em 2025 e 4,5% em 2026, impulsionado pela retomada turística e manufaturas além do setor energético.

Caminhos possíveis para mobilização dos recursos

Para transformar intenções em financiamento efetivo, algumas estratégias já são apontadas:

  1. Conferência internacional de doadores — reunir Estados, instituições multilaterais e setor privado para compromissos formais.
  2. Uso de garantias multilaterais / bancos de desenvolvimento — mecanismo para mitigar riscos para investidores privados.
  3. Aplicação faseada dos recursos — reconstrução em etapas, priorizando habitação, infraestrutura básica e saneamento.
  4. Participação de empresas regionais — incentivar que fornecedores e construtoras do Oriente Médio participem da reconstrução.
  5. Supervisão internacional e transparência — mecanismos que assegurem que os recursos cheguem de fato à população afetada.

Esses caminhos, somados ao desejo manifestado por países parceiros, indicam que a reconstrução de Gaza pode mobilizar altos recursos, mas depende de acordo diplomático e operacional viável.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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