Como surgiu o esquema e por que Bodó virou alvo das apurações?
O caso começou quando, em outubro de 2024, a prefeitura lançou um edital para conceder licenças locais a empresas interessadas em explorar apostas de “cotas fixas”. A taxa de inscrição era de R$ 5 mil. A medida atraiu 43 empresas, muitas delas sem registro federal, o que por si só já as tornava ilegais.
Para operacionalizar o modelo, o município criou a LotSeridó, uma agência pública que passou a “legalizar” as bets. Com isso, Bodó ganhou a fama de “paraíso das bets clandestinas”, já que nenhum outro município do país tinha esse tipo de operação funcionando com chancela local.
Na época, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda, afirmou que a regulamentação municipal era ilegal e notificou a prefeitura. Ainda assim, os registros continuaram válidos até 24 de outubro de 2025, quando a LotSeridó suspendeu as autorizações.
Segundo o promotor Augusto Lima, chefe do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro do MP-RN, 24 dessas empresas permaneceram no escopo da investigação. Ele afirma que o total de bens bloqueados, de R$ 145 milhões, corresponde ao valor de movimentações consideradas fraudulentas.


