O investimento em saúde mental tem ganhado espaço nas políticas públicas brasileiras, impulsionado pelo aumento da demanda por atendimento psicológico e pelas mudanças no comportamento da população após a pandemia de covid-19.
Embora o orçamento do governo federal não detalhe valores exclusivos destinados à terapia individual, os recursos para a Rede de Atenção Psicossocial, responsável por serviços como os Centros de Atenção Psicossocial e outras unidades, registraram expansão nos últimos dois anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023 foi anunciado um aporte extraordinário de 200 milhões de reais para a Rede de Atenção Psicossocial, responsável pela oferta de atendimentos em saúde mental no Sistema Único de Saúde.
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Em outubro de 2024, a pasta divulgou um novo aumento, desta vez de 383 milhões de reais, destinado ao custeio anual da rede. Os valores foram disponibilizados em comunicados oficiais do governo federal.
Esses recursos contribuem para manter serviços como os Centros de Atenção Psicossocial, leitos de saúde mental em hospitais gerais e unidades de acolhimento. São nesses espaços que grande parte da população em situação de vulnerabilidade acessa atendimentos psicológicos, psiquiátricos e multidisciplinares.
Apesar disso, o governo não apresenta dados consolidados sobre quanto do orçamento total corresponde exclusivamente ao atendimento psicoterapêutico individual, uma vez que a verba é direcionada à rede como um todo.
Orçamento da saúde cresce e amplia espaço para a saúde mental
O aumento dos investimentos em saúde mental acompanha a expansão do orçamento geral da saúde. Para 2025, o orçamento federal previsto para o Ministério da Saúde é de 233,3 bilhões de reais, segundo dados públicos apresentados pelo governo. O valor representa um crescimento de 30 por cento em comparação com 2022.
Segundo a Organização Mundial da Saúde e dados divulgados pelo governo brasileiro, o gasto público total com saúde no Brasil em 2021 representou aproximadamente 4 por cento do Produto Interno Bruto. Isso inclui desde atenção primária até atendimentos especializados, entre eles os de saúde mental.
Ainda que o volume de recursos seja expressivo, especialistas indicam que a demanda pelos serviços de saúde mental cresce em ritmo acelerado, pressionando o sistema. A procura por atendimento psicológico aumentou após 2020, impulsionada pelo agravamento de quadros de ansiedade, depressão e estresse relacionados ao ambiente de trabalho, desemprego, sobrecarga financeira e desafios sociais.