O impacto econômico da saúde mental no país
Os custos econômicos associados aos problemas emocionais ultrapassam os investimentos diretos do governo. Estudos internacionais e dados de organismos multilaterais apontam que questões psicológicas não tratadas geram perdas financeiras significativas, tanto para o setor público quanto para empresas e trabalhadores.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que os custos globais relacionados a transtornos de saúde mental correspondem a aproximadamente 4 por cento do Produto Interno Bruto mundial. Quando aplicado ao cenário brasileiro, esse percentual equivale a cerca de 468 bilhões de reais por ano apenas em perda de produtividade e afastamentos do trabalho, considerando valores de referência informados pela OIT.
Outro impacto relevante ocorre no sistema previdenciário. Segundo dados divulgados pelo governo federal, as licenças médicas motivadas por transtornos mentais e comportamentais cresceram mais de 30 por cento desde 2021. O aumento pressiona os gastos da Previdência Social e evidencia a necessidade de ampliar o acesso ao cuidado e à prevenção.
No setor privado, os custos também avançam. Empresas de saúde suplementar e levantamentos do mercado apontam que os gastos das famílias brasileiras com serviços particulares de saúde mental cresceram 72 por cento em 2023, acompanhando a maior busca por terapias, consultas psiquiátricas e programas de bem-estar. O movimento indica que a população tem procurado alternativas fora do sistema público diante das dificuldades de acesso ao atendimento contínuo.
Investimento em saúde mental e efeitos socioeconômicos
Pesquisadores e entidades da área reforçam que ampliar a oferta de cuidados psicológicos pode contribuir para reduzir gastos públicos e privados no médio prazo. O entendimento é de que o tratamento adequado diminui afastamentos, melhora o desempenho no trabalho e reduz a sobrecarga no sistema de saúde.
Esse debate está presente em relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), que destaca a importância econômica de fortalecer políticas públicas focadas em prevenção e cuidado continuado.
No contexto brasileiro, o avanço do orçamento destinado à Rede de Atenção Psicossocial e a ampliação de serviços vinculados ao SUS refletem um movimento nacional de fortalecimento do setor. A consolidação de dados específicos sobre gastos com psicoterapia ainda é limitada, mas as informações disponíveis mostram que o governo tem aumentado os repasses voltados à saúde mental de maneira geral.