Produtividade e qualidade de vida entram na discussão
Para Rodrigo de Aquino, especialista em felicidade corporativa, discutir horas trabalhadas sem olhar a produtividade pode gerar conclusões erradas. Segundo Aquino, o Brasil convive com produtividade média menor que a de economias centrais, desigualdade elevada e infraestrutura urbana que consome tempo do trabalhador.
“A média de 40,1 horas semanais não inclui deslocamento — que, nas grandes regiões metropolitanas, pode ultrapassar uma hora por trajeto, segundo a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) — nem o trabalho doméstico e de cuidado, que recai desproporcionalmente sobre as mulheres. O volume oficial de horas não coincide com a experiência real da jornada”, explica o especialista.
Na prática, economias mais produtivas costumam reduzir a jornada sem perda de renda, enquanto países com menor produtividade precisam de mais horas para gerar o mesmo resultado econômico. Por isso, o debate sobre tempo de trabalho no Brasil está ligado não apenas à jornada, mas também à qualidade dos empregos, ao transporte urbano e ao crescimento da economia.


