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Governo tem superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro, mas dívida pública segue alta

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As contas do setor público começaram 2026 com saldo positivo de R$ 103,7 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado, chamado de superávit primário, acontece quando o governo arrecada mais do que gasta, sem considerar os juros da dívida pública. Esse cálculo inclui as finanças da União, dos estados, dos municípios e das empresas estatais.

Apesar do número elevado, o resultado foi um pouco menor que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo ficou em R$ 104,1 bilhões. Esse desempenho mais forte no início do ano é considerado comum, já que janeiro costuma concentrar uma parte importante da arrecadação de impostos.

Superávit do governo chega a R$ 103,7 bilhões
O maior impacto positivo veio do governo federal, que registrou superávit de R$ 87,3 bilhões | Foto: Reprodução / Canva

Estados e municípios também contribuíram, com saldo positivo de R$ 21,3 bilhões. Em sentido contrário, as empresas estatais tiveram resultado negativo de R$ 4,9 bilhões, o que reduziu o ganho total das contas públicas.

Entenda o que é superávit e por que ele é importante

O superávit primário é um dos principais indicadores usados para avaliar a saúde das contas públicas. Ele mostra se o governo está conseguindo arrecadar o suficiente para pagar suas despesas básicas, como salários, benefícios sociais e manutenção de serviços.

Quando há superávit, o país demonstra maior capacidade de controlar suas finanças. Quando ocorre déficit, que é o resultado negativo, significa que o governo gastou mais do que arrecadou, o que pode aumentar a dívida pública.

No entanto, esse cálculo não inclui os juros da dívida, que representam um dos maiores gastos do governo. Quando esses juros entram na conta, o resultado é chamado de resultado nominal.

Nesse conceito mais amplo, que inclui todas as despesas, o país teve superávit de R$ 40,1 bilhões em janeiro. Mesmo assim, no acumulado de 12 meses, o resultado continua negativo, com déficit de R$ 1,09 trilhão, equivalente a 8,5% do Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país.

Dívida pública permanece elevada e atinge R$ 10,1 trilhões

Mesmo com o resultado positivo em janeiro, o nível de endividamento do país segue alto. A dívida pública chegou a R$ 10,1 trilhões, o equivalente a 78,7% do Produto Interno Bruto. A dívida pública representa tudo o que o governo deve e precisa pagar no futuro. Quando esse valor cresce muito, aumenta a preocupação sobre a capacidade de pagamento e o equilíbrio das contas.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, organismo que acompanha a economia global, o endividamento brasileiro é ainda maior quando calculado por outro critério, chegando a 92,7% do Produto Interno Bruto. Esse percentual é considerado elevado em comparação com outros países emergentes.

O aumento da dívida está relacionado principalmente ao crescimento dos gastos públicos e ao peso dos juros, que seguem elevados. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Essa taxa é definida pelo Banco Central e influencia o custo de empréstimos e financiamentos em toda a economia. Nos últimos 12 meses, as despesas com juros somaram R$ 1,03 trilhão, o equivalente a 8,1% de tudo o que o país produz.

Estatais têm pior resultado em mais de 20 anos e pressionam contas públicas

Outro ponto de atenção foi o resultado negativo das empresas estatais federais, que registraram prejuízo de R$ 3,33 bilhões em janeiro. Esse foi o pior resultado desde o início da série histórica do Banco Central, em 2001.

As estatais são empresas controladas pelo governo, como os Correios, a Infraero e a Casa da Moeda. Elas atuam em setores estratégicos e também fazem parte do cálculo das contas públicas.

O resultado negativo ocorre em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios, que passam por uma crise e receberam autorização do governo para buscar até R$ 8 bilhões em novos empréstimos com garantia pública. No ano passado, a empresa já havia captado outros R$ 12 bilhões.

Esse cenário preocupa porque prejuízos em estatais podem aumentar os gastos públicos e impactar o equilíbrio das contas.

O que isso significa para a população?

Embora esses números pareçam distantes da realidade das famílias, eles influenciam diretamente a economia. Quando a dívida pública cresce e os juros permanecem altos, o crédito fica mais caro, dificultando financiamentos, empréstimos e compras parceladas.

Além disso, o controle das contas públicas é importante para manter a estabilidade econômica, evitar inflação elevada e garantir que o governo consiga manter serviços essenciais.

O resultado positivo de janeiro é visto como um sinal favorável no curto prazo, mas o nível elevado da dívida e o aumento das despesas continuam sendo pontos de atenção para os próximos meses.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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