Não se trata de copiar modelos, mas de observar experiências
O mundo que emerge deste conflito será também um mundo mais atento à segurança energética, alimentar e logística. Países que aprenderem a reduzir dependências excessivas estarão mais preparados para atravessar futuras turbulências. Países que permanecerem vulneráveis continuarão mais expostos a choques que não controlam. E o Brasil? O que aprendemos?
A crise recoloca questões que deveriam estar permanentemente na agenda nacional. Continuaremos dependentes da importação de fertilizantes? Estamos investindo o suficiente em infraestrutura logística? Temos uma estratégia consistente para fortalecer nossa segurança energética? Estamos preparados para lidar com eventos climáticos cada vez mais extremos? Conseguimos transformar nossa potência agrícola em maior resiliência alimentar?
São perguntas que ganham ainda mais relevância em um período pré-eleitoral.
Nenhum governante tem obrigação de prever a próxima pandemia, a próxima guerra ou o próximo choque climático. Mas é legítimo esperar que o país esteja preparado para enfrentar seus efeitos. Isso significa investir em infraestrutura, inovação, produtividade, pesquisa, diversificação de fornecedores e segurança jurídica. Significa construir condições para que crises externas provoquem menos impactos sobre a vida dos brasileiros.
A redução das tensões no Oriente Médio é uma notícia positiva para a economia mundial e, principalmente, para milhões de pessoas que convivem diretamente com os efeitos da guerra. Mas ela não elimina as transformações que o conflito já provocou. Cadeias produtivas estão sendo reorganizadas, alianças geopolíticas estão sendo redesenhadas e os riscos climáticos continuam impondo desafios adicionais às economias.
Talvez a principal lição deste momento seja que prosperidade não depende apenas de crescimento econômico. Depende também da capacidade de resistir a choques externos.
Guerras acabam. Pandemias passam. Ciclos climáticos mudam. Mas países que investem em planejamento, infraestrutura, tecnologia e redução de vulnerabilidades atravessam essas turbulências com menos danos.
A pergunta mais importante, portanto, não é se esta guerra terminou. É quais fragilidades ela revelou e o que faremos para corrigi-las antes da próxima.