O Brasil deve continuar reduzindo parte da produção de energia solar e eólica nos próximos anos, mesmo com o aumento do consumo de eletricidade. A previsão é do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável por coordenar o funcionamento da rede elétrica do país.
Segundo o Plano da Operação Energética 2026-2030, os chamados cortes de geração devem diminuir gradualmente, mas seguirão em níveis elevados. A principal razão é que, em vários momentos do dia, a quantidade de energia produzida continuará sendo maior do que a demanda.

Para evitar desequilíbrios na rede, o ONS determina que algumas usinas reduzam temporariamente sua produção. Esse cenário afeta principalmente as fontes renováveis, como a energia eólica, produzida pelos ventos, e a solar, gerada por painéis fotovoltaicos.
Cortes devem diminuir, mas continuarão frequentes
De acordo com a projeção, a necessidade de limitar a produção cairá de 19% das horas registradas em 2027 para 14% em 2030. Mesmo com essa redução, as restrições continuarão sendo comuns entre agosto e outubro, período de maior intensidade dos ventos no país. Os horários entre 7h e 15h devem concentrar a maior parte das ocorrências, especialmente aos domingos.
O ONS estima que, em determinados momentos, os cortes poderão chegar a até 40 gigawatts (GW), unidade utilizada para medir a potência elétrica. A maior parte dessas reduções ocorrerá por excesso de oferta de energia, quando a geração supera o consumo.
Já as limitações provocadas por questões técnicas, como falhas em equipamentos ou na operação da rede, devem diminuir de 7% para 4% das horas até 2030. Segundo o operador, a redução gradual dos cortes será favorecida pelo crescimento do consumo, pela ampliação das linhas de transmissão e pelo ritmo menor de entrada de novas usinas renováveis.
Baterias e data centers podem reduzir desperdício
O ONS também aponta que o avanço de tecnologias de armazenamento pode ajudar a diminuir o problema. As baterias de grande porte permitem guardar a energia produzida em horários de menor consumo para utilizá-la posteriormente, evitando que parte dessa produção seja descartada. No entanto, o órgão avalia que essas soluções ainda não terão presença suficiente no sistema elétrico brasileiro até 2030. Outro fator que pode aliviar a sobreoferta é o crescimento da demanda por eletricidade.
A previsão é que a carga de energia passe de 83,8 GW em 2026 para 98,8 GW em 2030, um aumento de 17,9%. Entre os principais responsáveis por esse avanço estão os data centers, estruturas que armazenam e processam grandes volumes de informações para serviços digitais, computação em nuvem e inteligência artificial. Como operam de forma contínua, esses centros consomem grandes quantidades de energia.
Segundo o ONS, o consumo médio desse setor deve saltar de 0,3 GW em 2026 para quase 3,5 GW em 2030.
Energia solar continuará em expansão
Mesmo com a necessidade de limitar parte da geração, a capacidade instalada de produção de energia no Brasil continuará crescendo. A oferta total deverá passar dos atuais 256 GW para 286,5 GW até o fim da década.
O principal avanço continuará sendo da geração solar distribuída, formada pelos sistemas instalados em telhados de residências, empresas e propriedades rurais. Atualmente, essa modalidade já é a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, atrás apenas das hidrelétricas. Segundo o ONS, sua participação deve aumentar de 18,1% para 23,5% até 2030.
Apesar dessa expansão, o operador reforça que o país ainda precisará contratar novas usinas capazes de atender aos momentos de maior consumo de energia. Essas unidades funcionam como uma reserva, podendo ser acionadas rapidamente quando a demanda aumenta ou quando há queda na geração das fontes renováveis.
Na avaliação do órgão, os leilões realizados neste ano não serão suficientes para atender toda a necessidade prevista até 2030, tornando necessária a realização de novas contratações nos próximos anos.


