O preço do petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, cerca de R$ 555, na cotação atual, nesta quinta-feira, 23 de julho, pela primeira vez em mais de dois meses. A valorização ocorreu após cinco dias consecutivos de alta e em meio ao agravamento da guerra no Oriente Médio, que chegou ao 12º dia seguido de ataques.
Além de ser usado na produção de gasolina e diesel, ele também faz parte da fabricação de plásticos, embalagens, produtos de limpeza e outros itens do dia a dia.

Guerra no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo
Nesta quinta-feira, o barril do tipo Brent, referência internacional para o petróleo, chegou a US$ 101,16, cerca de R$ 562, durante o dia. Por volta das 12h36, os contratos para entrega em setembro eram negociados a US$ 100,88 (aproximadamente R$ 560), após avanço de 7,24%.
O principal motivo da valorização é a continuidade dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã. Segundo o governo norte-americano, as operações têm como objetivo reduzir a capacidade do país de ameaçar o transporte de embarcações no Estreito de Hormuz.
O local tem importância estratégica para o comércio mundial, já que cerca de 20% de todo o petróleo produzido no planeta passa por essa passagem marítima. Quando existe o risco de bloqueio ou interrupção da rota, cresce a preocupação de que parte da produção deixe de chegar aos compradores, reduzindo a oferta disponível.
A tensão aumentou depois que a Guarda Revolucionária do Irã informou que um petroleiro sofreu uma explosão ao tentar atravessar uma área ao sul do Estreito de Hormuz. Segundo o relato, a embarcação navegava por uma rota com minas. A origem do navio não foi informada. Além disso, drones lançados pelo Irã foram interceptados no Kuwait.
Os confrontos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã começaram em 28 de fevereiro. Nas últimas semanas, porém, os bombardeios voltaram a ocorrer após o fim de um acordo de cessar-fogo, que previa a interrupção dos ataques e a retomada da circulação de embarcações pela região.
Bolsas de valores reagiram de maneiras diferentes
A escalada da guerra também influenciou os mercados financeiros ao redor do mundo. Na Ásia, a maior parte das bolsas encerrou o dia em alta. O principal destaque foi a Coreia do Sul, impulsionada pelo desempenho de empresas de tecnologia, como Samsung e SK Hynix. Japão, Hong Kong, Taiwan, Vietnã e China também fecharam com ganhos.
Na Europa, o cenário foi diferente. As principais bolsas registraram perdas diante da expectativa pela decisão sobre os juros do Banco Central Europeu (BCE). Milão, Frankfurt, Paris, Madri e Londres operaram em queda ao longo da manhã.
Nos Estados Unidos, Wall Street também registrou baixas. Os índices Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones recuaram durante o pregão.
Por que essa alta pode afetar o dia a dia?
O petróleo é negociado diariamente no mercado internacional e seu preço costuma reagir rapidamente quando há guerras ou situações que possam dificultar a produção ou o transporte do combustível.
Sempre que surge o risco de faltar petróleo no mercado, compradores aceitam pagar mais para garantir o abastecimento. Isso faz o valor do barril subir, como aconteceu nesta semana.
Além dos combustíveis, a matéria-prima é utilizada na fabricação de diversos produtos consumidos diariamente. Por isso, uma alta prolongada costuma ser acompanhada com atenção por empresas e governos, já que pode provocar reflexos em diferentes setores da economia.
Enquanto os ataques continuarem e houver incerteza sobre a circulação de navios pelo Estreito de Hormuz, o mercado deve seguir atento aos próximos desdobramentos. Qualquer mudança na região pode influenciar novamente a cotação internacional do petróleo.


