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Eleições 2026: guia completo para entender a votação

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As Eleições 2026 vão colocar o eleitor diante de seis escolhas na urna. Para quem não acompanha política de perto, pode ser difícil saber quem faz o quê, o que cada candidato pode realmente mudar e como diferenciar uma informação confiável de um conteúdo enganoso.

Eleições 2026: 158,7 milhões de eleitores e 20,5 mil candidaturas
A campanha também traz dúvidas sobre a eleição em si: como funciona o voto para deputado? Quem pode ser cobrado por uma obra ou serviço? O que muda caso haja segundo turno? | Foto: Divulgação / TSE

Com as instruções abaixo, o eleitor vai entender essas diferenças e chegar à urna sabendo quais cargos serão escolhidos, como eles funcionam e o que observar durante a campanha.

1. Eleições 2026: o que você vai escolher na urna?

No primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, o eleitor terá de fazer seis escolhas na urna, pois serão escolhidos cinco cargos, mas haverá dois votos para senador.

A ordem será: deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e presidente da República.

É importante prestar atenção nessa sequência porque os cargos aparecem um de cada vez na tela da urna. O eleitor digita o número do candidato, confere a foto e o nome que aparecem e confirma o voto. Além disso, o eleitor não pode escolher o mesmo candidato para a duas vagas de senador. Caso repita o mesmo indicado, o segundo voto será anulado.

Se houver segundo turno, a votação será em 25 de outubro, apenas para presidente e governador. Nos dois turnos, o horário será das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

2. Presidente x governador: quem faz o quê?

O presidente é responsável pelo governo federal e toma decisões que atingem o Brasil como um todo. Entre as áreas que passam pelo governo federal estão ações nacionais de saúde e educação, além de decisões sobre assuntos que envolvem todo o país. Também cabe ao governo federal cuidar de questões que não podem ser resolvidas apenas por um estado.

O governador, por sua vez, administra o estado e cuida de serviços e decisões que ficam sob responsabilidade do governo estadual. Segurança pública, escolas estaduais, hospitais estaduais, estradas estaduais e outras ações do estado estão entre os assuntos que podem passar pelo governador.

Isso não significa que tudo relacionado a saúde, educação ou transporte seja responsabilidade de apenas um governo. Em algumas áreas, governo federal, estados e municípios dividem tarefas. Por isso, uma promessa de campanha precisa ser analisada de acordo com o cargo que o candidato está disputando.

3. Senador x deputado: qual é a diferença?

Senador e deputado são representantes escolhidos pelo voto, mas eles trabalham em lugares diferentes e têm funções diferentes. Nas eleições de 2026, o eleitor escolherá dois senadores, um deputado federal e um deputado estadual ou distrital.

O senador trabalha no Senado Federal, em Brasília, e representa o estado onde foi eleito. Já o deputado federal trabalha na Câmara dos Deputados, também em Brasília. Senadores e deputados federais participam da discussão e da criação de leis que valem para todo o país e também analisam decisões e propostas do governo federal.

O deputado estadual trabalha na Assembleia Legislativa do estado, onde participa da discussão e da criação de regras que valem para aquele estado. No Distrito Federal, o cargo recebe o nome de deputado distrital e o trabalho é feito na Câmara Legislativa.

A diferença aparece também na urna. Em 2026, cada eleitor terá dois votos para senador porque duas vagas estarão em disputa. Para deputado, será um voto para deputado federal e outro para deputado estadual ou distrital.

4. Como funciona o voto para deputado?

Na urna, o eleitor terá dois votos para deputado: um para deputado federal e outro para deputado estadual ou distrital. Apesar de os nomes serem parecidos, cada um trabalha em uma área diferente.

O deputado federal trabalha na Câmara dos Deputados, em Brasília, e participa da criação e da discussão de leis que valem para todo o país. Também acompanha decisões e ações do governo federal e participa das discussões sobre como o dinheiro público será usado.

O deputado estadual trabalha na Assembleia Legislativa do estado. Ele participa da criação e da discussão de regras que valem para o estado e acompanha as ações do governo estadual. No Distrito Federal, esse trabalho é feito pelo deputado distrital, na Câmara Legislativa.

Na hora da votação, a ordem também importa: primeiro o eleitor vota para deputado federal e depois para deputado estadual ou distrital. São candidatos diferentes, com trabalhos diferentes, por isso é preciso ter os dois números anotados separadamente.

5. Presidente, Congresso e STF: quem faz o quê?

O presidente da República não decide sozinho tudo o que acontece no país, pois o governo brasileiro tem diferentes órgãos e instituições, com funções próprias.

O Congresso Nacional é formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Os parlamentares dessas duas Casas participam da criação e discussão de leis e de outras decisões previstas em suas funções.

Já o Supremo Tribunal Federal (STF) faz parte do Poder Judiciário, que tem atuação diferente do presidente e dos parlamentares. Essa divisão existe porque o funcionamento do país envolve diferentes partes. Uma proposta apresentada pelo governo, por exemplo, pode depender da atuação de outras instituições para avançar.

6. De quem é a responsabilidade? Quem cobrar por saúde, educação, segurança e obras?

Quando falta atendimento em um serviço público, uma escola precisa de melhorias ou uma obra não sai do papel, pode surgir uma dúvida simples: quem é responsável por resolver o problema?

Nem sempre a resposta é a mesma. O governo federal cuida de assuntos que envolvem o país inteiro; o governo estadual cuida de serviços e decisões do estado; e os municípios cuidam de questões da cidade. Em algumas áreas, os governos trabalham juntos, dividindo tarefas e recursos.

Na saúde, por exemplo, uma pessoa pode ser atendida em um serviço mantido pelo município, pelo estado ou pelo governo federal. Na educação, também há escolas ligadas a diferentes governos.

Senador x deputado: qual é a diferença e o que cada um pode fazer?
Já a segurança pública é uma responsabilidade principalmente dos estados, enquanto outras questões ficam sob responsabilidade da União ou dos municípios | Foto: Reprodução / Canva

O mesmo vale para obras. Uma estrada estadual não é responsabilidade do mesmo governo que cuida de uma rua da cidade, assim como uma obra de responsabilidade federal não depende apenas do governador ou do prefeito.

Essa divisão ajuda o eleitor a entender as promessas de campanha. Antes de cobrar ou avaliar uma proposta, vale perguntar: qual governo é responsável por esse serviço e o candidato que está prometendo a mudança terá poder para fazer isso se for eleito?

7. Como seus impostos viram serviços e obras públicas?

Quando você paga um imposto, o dinheiro vai para os cofres públicos, junto com os valores arrecadados de outras pessoas e empresas. Esse dinheiro é usado pelos governos para manter serviços e pagar ações que atendem à população.

É desse dinheiro que saem recursos para manter escolas e hospitais, pagar profissionais que trabalham em serviços públicos, cuidar de ruas e estradas e realizar obras, entre outras despesas do governo. Mas cada governo precisa seguir regras e definir no orçamento quanto poderá gastar e em quais áreas. Por isso, o dinheiro arrecadado não vai diretamente do imposto de uma pessoa para um serviço específico. Os valores são reunidos e depois distribuídos de acordo com as regras e os planos de cada governo.

É por isso que uma promessa de campanha também envolve dinheiro. Para colocar uma proposta em prática, é preciso saber qual governo será responsável, de onde virão os recursos e se existe dinheiro previsto para aquela ação.

8. Como analisar uma promessa de campanha?

Durante a campanha, os candidatos vão apresentar propostas para mudar ou melhorar diferentes áreas. Para entender o que está sendo prometido, o eleitor pode começar por três perguntas: o candidato tem poder para fazer isso? Quanto a medida pode custar? E como ela seria colocada em prática?

A primeira pergunta depende do cargo. O presidente não tem as mesmas responsabilidades de um governador, assim como um deputado não pode fazer tudo o que cabe ao governo. Uma promessa sobre segurança pública, por exemplo, precisa ser analisada de acordo com o cargo disputado e com a participação de cada governo nessa área.

A segunda questão é o dinheiro. Se a proposta envolve construir, ampliar ou manter um serviço, é preciso saber de onde viriam os recursos. Algumas medidas também podem depender de outras decisões, de leis ou da participação de mais de um governo.

Por fim, vale procurar informações sobre como a proposta seria executada. O candidato apresentou apenas a ideia ou explicou as medidas necessárias para colocá-la em prática? Essas respostas ajudam o eleitor a entender melhor o que está sendo prometido, sem precisar decidir apenas pelo discurso da campanha.

9. Propaganda eleitoral: o que o eleitor precisa saber?

Durante a eleição, os candidatos podem apresentar suas ideias por diferentes meios. A propaganda pode aparecer na internet, em redes sociais, aplicativos de mensagens, sites, rádio e televisão, seguindo as regras da Justiça Eleitoral.

Na televisão e no rádio, existe o horário eleitoral gratuito e também são reservados espaços para inserções de 30 e 60 segundos ao longo da programação.

Na internet, as mensagens de campanha também precisam seguir regras. As mensagens eletrônicas, por exemplo, devem identificar quem as enviou e oferecer uma forma de o destinatário pedir que elas parem de ser enviadas. Depois do pedido, a retirada deve ocorrer em até 48 horas.

A campanha também tem regras para ações realizadas nas ruas. Caravanas ou passeatas com veículos e combustível pago pela campanha precisam ser comunicadas à Justiça Eleitoral com antecedência.

10. Fake news e inteligência artificial: como se informar durante a eleição?

As eleições de 2026 terão regras específicas para conteúdos produzidos ou modificados com inteligência artificial (IA). A preocupação é evitar que imagens, vídeos, áudios ou falas sejam alterados de maneira capaz de enganar o eleitor ou prejudicar a eleição.

Determinados conteúdos feitos ou modificados por IA precisam ser identificados e sinalizados. A regra também proíbe deepfakes e conteúdos falsos ou gravemente tirados de contexto que possam comprometer a eleição.

Existe ainda uma regra específica para os dias próximos à votação. Nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à eleição, não poderá circular conteúdo sintético novo, feito ou alterado por IA ou tecnologia semelhante, que modifique a imagem, a voz ou uma declaração de candidato ou pessoa pública, mesmo que o material esteja identificado.

As regras também alcançam as plataformas digitais. Em determinadas situações, elas poderão ter responsabilidade pela retirada imediata de conteúdos ou contas que descumpram as regras. Além disso, ferramentas de IA não poderão recomendar candidaturas ao usuário, mesmo quando ele pedir uma recomendação.

11. Pesquisas eleitorais: como entender o que elas mostram?

Durante a campanha, o eleitor também encontrará números de pesquisas eleitorais. Esses levantamentos mostram o que um grupo de pessoas respondeu em determinado momento, seguindo os critérios usados pela pesquisa.

Eleições 2026: veja o caminho do voto até a apuração
Uma pesquisa não é o resultado da eleição. O resultado só será conhecido depois da votação e da apuração | Foto: Reprodução/Divulgação/STF

Ao encontrar uma pesquisa, é importante olhar quando ela foi feita, quem foi ouvido e o que exatamente está sendo medido. Os números podem mudar ao longo da campanha porque representam um retrato daquele momento.

12. Dinheiro de campanha: de onde vêm os recursos e como são usados?

Fazer campanha também envolve dinheiro. Existem regras para a origem e o uso dos recursos, além de normas para que os gastos sejam informados à Justiça Eleitoral.

Um dos mecanismos previstos é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). As eleições também têm regras sobre prestação de contas, para que os recursos utilizados nas campanhas sejam registrados.

A Justiça Eleitoral estabelece ainda regras para o uso do dinheiro destinado às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas. Os recursos destinados a essas candidaturas precisam ser usados em benefício delas, e o uso irregular pode ser considerado uma infração, independentemente do valor envolvido.

13. Antes de votar: o que levar e o que fazer na urna?

No dia da votação, o eleitor terá uma sequência de seis escolhas no primeiro turno. Como são vários cargos, vale chegar preparado para não confundir os números. A ordem será:

  1. Deputado federal;
  2. Deputado estadual ou distrital;
  3. Senador para a primeira vaga;
  4. Senador para a segunda vaga;
  5. Governador;
  6. Presidente.

Uma opção é preparar uma colinha com os números dos candidatos antes de sair de casa. Assim, o eleitor não precisa depender da memória na frente da urna.

14. O que acontece se houver segundo turno?

Nem sempre a eleição termina no primeiro turno. Se houver necessidade de uma nova votação, ela será realizada em 25 de outubro. Nesse caso, o eleitor não precisará votar novamente para todos os cargos, já que o segundo turno será apenas para presidente e governador. O horário continuará sendo das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

15. Como denunciar irregularidades durante a eleição?

Se o eleitor encontrar uma possível irregularidade durante a campanha, existem canais oficiais para fazer a denúncia.

Para propaganda eleitoral irregular, o principal canal é o aplicativo Pardal, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível enviar informações e anexar fotos, vídeos, áudios ou links que ajudem a mostrar o problema.

Casos de desinformação relacionada às eleições podem ser comunicados pelo Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE). Já situações que possam configurar crime eleitoral também podem ser comunicadas à polícia, ao Ministério Público Eleitoral ou à Justiça Eleitoral.

16. Depois da eleição: como acompanhar e cobrar os eleitos?

O trabalho do eleitor não termina depois da votação. Para acompanhar os eleitos, é possível consultar votações, projetos, decisões e gastos públicos nos sites oficiais dos governos e do Congresso.

Também é possível acompanhar as sessões e votações da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e das assembleias legislativas, além das ações dos governos federal e estadual.

Quando quiser cobrar uma promessa ou questionar uma decisão, o eleitor pode procurar os canais oficiais de atendimento e ouvidorias de cada órgão. Antes disso, é importante identificar qual cargo é responsável pelo assunto, porque presidente, governador, senador e deputado têm funções diferentes.

COLINHA DAS ELEIÇÕES 2026

1º — Deputado federal

2º — Deputado estadual/distrital

3º — Senador

4º — Senador

5º — Governador

6º — Presidente

1º turno: 4 de outubro

2º turno, se houver: 25 de outubro

Horário: 8h às 17h, pelo horário de Brasília

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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