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Igualdade de gênero ainda levaria 120 anos para avançar, aponta Fórum Econômico Mundial

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A igualdade de gênero ainda está longe de ser uma realidade no mundo. No ritmo atual, seriam necessários 120 anos para fechar completamente a diferença entre homens e mulheres, segundo o Fórum Econômico Mundial. O Brasil aparece na 72ª posição do ranking de 2026, com 71,5% dessa diferença já fechada.

Igualdade de gênero ainda levaria 120 anos para avançar, aponta Fórum Econômico Mundial
O resultado brasileiro representa uma queda de 0,4 ponto percentual em relação à edição anterior | Foto: Reprodução / Canva

Apesar disso, o país avançou desde o início do levantamento: entre 2006 e 2026, a diferença entre homens e mulheres diminuiu 6,1 pontos percentuais.

Os dados estão na 20ª edição do Global Gender Gap Report, relatório que compara 145 economias em quatro áreas: participação e oportunidades econômicas, educação, saúde e sobrevivência e empoderamento político.

Dinheiro e trabalho ainda pesam na igualdade de gênero

A economia é uma das áreas em que o Brasil ainda tem uma diferença maior entre homens e mulheres. O país fechou 66,6% da distância em participação e oportunidades econômicas, ficando fora dos 100 primeiros colocados nesse indicador.

Essa diferença também aparece quando o assunto é renda, já que a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho apresenta 73,1% de paridade, mas o índice cai para 62,2% quando é considerada a renda estimada.

Já na educação, o Brasil alcançou, pelo segundo ano consecutivo, paridade completa em todos os indicadores educacionais analisados pelo Fórum. Em saúde e sobrevivência, o país fechou 97,7% da diferença.

Mulheres avançaram na política, mas ainda são minoria

O maior avanço brasileiro desde 2006 ocorreu no empoderamento político, indicador que considera a presença de mulheres em espaços de decisão. Nessa área, o resultado do país melhorou 15,8 pontos percentuais em duas décadas.

Mesmo com a evolução, apenas 21,8% da diferença entre homens e mulheres está fechada nesse indicador. Em relação à edição anterior, houve uma queda de 2,1 pontos percentuais.

A presença feminina no Parlamento mais que dobrou desde o início da série, passando de 9,4% para 20,7%. Entre ministros, o indicador aumentou de 12,9% para 40,9%.

O relatório também considera o peso dos cargos ocupados. Entre as pastas ministeriais comandadas por mulheres, apenas uma em cada dez está entre as consideradas de alta influência.

No mundo, política é uma das maiores barreiras

A distância entre homens e mulheres continua especialmente grande nas áreas ligadas a dinheiro e poder. Nas 145 economias analisadas pelo Fórum em 2026, 69,2% da diferença global de gênero foi fechada.

Na participação e nas oportunidades econômicas, o índice mundial chega a 61,7%. Já no empoderamento político, fica em apenas 22,1%.

Mesmo sendo a dimensão que mais avançou desde 2006, a participação política das mulheres perdeu ritmo. O indicador global está hoje abaixo do nível registrado em 2016.

Entre os países acompanhados desde o começo do levantamento, a presença de mulheres como chefes de Estado chegou ao maior nível em 2022, mas voltou ao patamar de 2016.

Mulheres perdem espaço no caminho até o topo

A desigualdade também aparece dentro das empresas. Dados globais do LinkedIn utilizados pelo Fórum mostram que as mulheres ocupam 46% dos cargos de entrada, mas representam apenas 23% das posições de C-level, que são os cargos mais altos de comando.

A presença feminina diminui conforme aumenta o nível de responsabilidade. A contratação de mulheres para o mercado de trabalho e para posições de liderança está estagnada desde 2022 e apresenta sinais iniciais de queda, segundo o relatório.

As interrupções na carreira também pesam nesse caminho, pois mulheres são quase duas vezes mais propensas que homens a fazer pausas profissionais, e as interrupções relacionadas à criação dos filhos são muito mais frequentes entre elas.

Essas pausas podem deixar diferenças na progressão profissional mesmo depois do retorno ao trabalho. O relatório destaca, por isso, que a igualdade no mercado não depende apenas de ter um emprego, mas também de conseguir construir uma carreira com estabilidade e possibilidade de crescimento.

Inteligência artificial cria outro ponto de atenção

A expansão da inteligência artificial (IA) acrescenta uma nova frente à desigualdade. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a economia ligada à tecnologia vem repetindo padrões de segregação profissional que já existem em outras áreas, com baixa presença feminina ao longo dessa cadeia.

Menos de uma em cada cinco pessoas que trabalham como engenheiras de IA é mulher. O dado chama atenção porque a tecnologia ocupa espaço crescente em atividades relacionadas à produtividade, inovação e criação de valor.

Para o Fórum, reduzir as diferenças entre homens e mulheres também está ligado ao crescimento das economias. A avaliação apresentada no relatório é que uma participação maior das mulheres permite aproveitar melhor as habilidades e os conhecimentos disponíveis na sociedade.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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