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Votos após as 17h, abstenção e virada: os números da vitória de Lula

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A prorrogação da votação presidencial até as 19h deste domingo, 25 de outubro, foi acompanhada de perto, mas os registros das urnas mostram que 34.330 votos foram registrados após as 17h, horário previsto inicialmente para o encerramento do pleito.

Votos após as 17h, abstenção e virada: os números da vitória de Lula
Com a apuração concluída, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 64.256.232 votos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 4.430.191 votos | Foto: Reprodução / Instagram

A votação foi estendida por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos das campanhas dos dois candidatos. A equipe de Lula apontou dificuldades no transporte público, enquanto a de Flávio pediu mais tempo em municípios atingidos por chuvas e falta de energia. A determinação valeu para as seções que ainda estavam abertas quando a decisão foi tomada, já que as urnas encerradas não podiam ser reabertas.

Os registros eletrônicos permitem identificar os horários em que os votos foram computados, mas não mostram em quem cada eleitor votou. Por isso, não é possível afirmar quantos dos votos registrados após as 17h foram destinados a Lula ou a Flávio, nem atribuir a eles a diferença final entre os candidatos.

Lula ganhou mais de 10 milhões de votos entre os turnos

A eleição de 2026 teve uma virada inédita desde a redemocratização: Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, mas venceu a disputa final. Na primeira votação, em 4 de outubro, o senador recebeu 56.104.503 votos, enquanto o petista teve 53.879.538. A diferença foi de 2.224.965 votos a favor de Flávio.

No segundo turno, o resultado se inverteu. Lula alcançou 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio terminou com 59.826.041, ou 48,21%. A vantagem do presidente reeleito chegou a 4.430.191 votos, mais que o dobro da distância registrada na primeira etapa.

Entre as duas votações, Lula conquistou 10.376.694 votos a mais, enquanto Flávio ampliou seu total em 3.721.538. A mudança mostra que o resultado do segundo turno não se limitou à transferência de votos de candidatos eliminados: os dois finalistas também receberam votos adicionais em relação à primeira rodada.

A diferença de 3,58 pontos percentuais entre os candidatos fez de 2026 a terceira eleição presidencial mais apertada em um segundo turno desde a redemocratização. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por 2.139.645 votos, com diferença de 1,8 ponto percentual. Em 2014, Dilma Rousseff superou Aécio Neves por 3.459.963 votos, com uma distância de 3,28 pontos percentuais.

Abstenção caiu e mais eleitores foram às urnas

Outro dado que mudou entre as duas etapas foi a participação dos eleitores. No primeiro turno, a abstenção foi de 21,08%, com cerca de 33 milhões de pessoas que não compareceram para votar. No segundo, o índice caiu para 19,21%, o equivalente a aproximadamente 30 milhões de ausentes.

A redução foi de 1,87 ponto percentual. Segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas na segunda votação. O segundo turno teve mais de 128,2 milhões de votantes, em um universo superior a 158 milhões de pessoas aptas a votar.

Também houve mudanças nos votos brancos e nulos. No primeiro turno, foram registrados cerca de 2,3 milhões de votos em branco, ou 1,84%, e 3,6 milhões de nulos, equivalentes a 2,93%. No segundo, os brancos somaram aproximadamente 1,4 milhão, ou 1,12%, enquanto os nulos chegaram a 2,7 milhões, ou 2,12%.

A queda na abstenção e nos votos brancos e nulos acompanhou o crescimento da votação dos dois finalistas. Como a disputa ficou restrita a Lula e Flávio, os eleitores que haviam escolhido outros candidatos no primeiro turno tiveram de decidir entre os dois, votar em branco ou anular o voto, ou não comparecer.

O que aconteceu nas duas horas extras de votação?

A decisão de estender o horário até as 19h ocorreu em meio a relatos de problemas para chegar aos locais de votação. A campanha de Lula pediu a ampliação por dificuldades no transporte coletivo, incluindo redução da frota, longas esperas e cobrança de passagens. Em São Paulo, a equipe afirmou que cerca de 60% dos ônibus estavam em circulação na capital, apesar de uma determinação judicial para disponibilizar toda a frota.

A campanha de Flávio, por sua vez, solicitou mais duas horas em municípios afetados por chuvas fortes, enchentes e falta de energia. Os pedidos envolviam localidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A decisão de Zanin estendeu o prazo nacionalmente, mas apenas as seções que ainda estavam funcionando puderam continuar recebendo eleitores.

O levantamento dos registros das urnas identificou 34.330 votos computados depois das 17h. Outros dados sobre os equipamentos apontaram que 5.326 urnas, de um total de 497.897 analisadas, encerraram a votação às 19h ou depois. Isso corresponde a cerca de 1,06% do total.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão tomada poucas horas antes do encerramento exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração. Como milhares de urnas já tinham sido encerradas quando a ordem foi comunicada, elas não puderam ser reabertas. O tribunal também suspendeu temporariamente o recebimento dos boletins de urna, o que provocou um acúmulo de arquivos para processamento.

Lula também ampliou a votação no exterior

Os resultados fora do Brasil também mostram crescimento para os dois candidatos entre os turnos. No primeiro, Lula recebeu 157.387 votos no exterior, enquanto Flávio teve 143.900. A abstenção nessa votação foi de 62,69%.

No segundo turno, dados parciais do TSE atualizados até as 22h30 apontavam 200.154 votos para Lula e 171.497 para Flávio. Isso representa um aumento de 42.767 votos para o petista e de 27.597 para o senador em comparação com a primeira rodada. Como a apuração no exterior ainda estava em andamento naquele horário, os números devem ser considerados parciais.

Na mesma parcial, Lula aparecia à frente em 62 países ou territórios, enquanto Flávio liderava em 38. No primeiro turno, o petista havia vencido em 64 países, e o senador, em 36, com empate na Guiné-Bissau.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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