A Casas Bahia irá entender o prazo para pagar suas dívidas, em uma negociação que se espera resolver definitivamente os problemas de fluxo de caixa e saúde financeira da empresa.
Um acordo foi fechado com seus principais credores, Bradesco e Banco do Brasil. Essa extensão de prazo vai garantir que a empresa preserve R$ 4,3 bilhões até 2027.
A empresa está formalizando na Justiça um pedido de reestruturação extrajudicial baseado no plano acordado com os bancos, que possuem 54,5% da dívida reestruturada. Considerando também as debêntures da empresa detidas pelas assets, o Bradesco e o Banco do Brasil ficam com 66% da dívida.
Essa reestruturação é mais simples do que uma recuperação judicial, considerada por parte do mercado. Ela abrange apenas as dívidas financeiras sem garantias, como debêntures e CCBs emitidas com os bancos, e não inclui compromissos com fornecedores e seguradoras.
“É uma operação que já nasce aprovada com os credores e nos dá fôlego para enfrentar riscos macroeconômicos. Nos deixa com caixa forte. Num cenário macro mais positivo, me dá flexibilidade para antecipar compra de Black Friday e fazer acordos melhores com fornecedores”, explica Renato Franklin, CEO da Casas Bahia.
Conforme o acordo, os pagamentos que totalizavam R$ 4,8 bilhões até 2027 serão reduzidos para R$ 0,5 bilhão após a homologação do acordo, com o restante adiado para 2028 e além, seguindo a negociação anunciada anteriormente para os R$ 1,5 bilhão que venceriam neste e no próximo ano.
O prazo médio de pagamento será estendido de 22 para 72 meses, acompanhado por uma redução de 1,5 pontos percentuais no custo médio, representando uma economia de R$ 400 milhões ao longo do período.
Desde maio de 2023, o executivo vindo da Movida assumiu a missão de reestruturar financeira e operacionalmente a empresa e colocá-la de volta ao crescimento a partir de 2025.
O plano deve ser homologado 30 dias após a análise do pedido pela Justiça, seguido pela substituição da dívida financeira por uma nova emissão de debêntures no valor total de R$ 4,1 bilhão, divididas em duas séries.
Na primeira série, o credor receberá 37% do crédito a uma taxa de CDI + 1,5%, com período de carência de 34 meses para juros e 30 meses para o pagamento do principal, e amortizações escalonadas a partir de maio de 2026.
Na série 2, correspondendo a 63% dos créditos, o pagamento do principal e dos juros será em novembro de 2030, com taxa de CDI + 1%. Os credores têm a opção de se tornarem acionistas em um prazo entre 18 e 36 meses, com um desconto de 20% em relação ao preço médio de cotação dos últimos 90 dias.
A empresa apresentará detalhes da operação a investidores e analistas em teleconferência na manhã de segunda-feira, 29.
Com a divulgação dos resultados prevista para o próximo dia 8, a varejista espera mostrar uma redução maior nas despesas gerais, de vendas e administrativas no primeiro trimestre de 2024, após os maiores custos relacionados ao fechamento de lojas e redução de estoques.
O Bradesco foi assessorado pelos escritórios /asbz e SOB, enquanto o Banco do Brasil foi assessorado pelo Machado Meyer. O escritório Pinheiro Neto prestou assessoria à varejista.