Trump e as tarifas: quais os impactos para o Brasil?
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou no final de novembro de 2024 que pretende aplicar tarifas de 100% sobre produtos de países do Brics, bloco que inclui o Brasil, como resposta à tentativa desses países de substituir o dólar por outra moeda em transações internacionais.
Em uma publicação em sua plataforma Truth Social, Trump afirmou que o tempo de tolerar os países do Brics tentando afastar-se do dólar havia acabado. Ele pediu que essas nações se comprometessem a não criar ou apoiar uma moeda alternativa ao dólar. Caso contrário, eles enfrentariam tarifas elevadas e perderiam acesso ao mercado americano.
Trump também mencionou que, caso o Brics tentasse substituir o dólar no comércio internacional, essas nações precisariam procurar outro parceiro econômico, pois não haveria possibilidade de substituir o dólar americano.
Além do Brasil, os países que compõem o BRICS são a África do Sul, China, Índia, Rússia, Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia. O Brasil assumirá a presidência do bloco em janeiro de 2025.
Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China, e o principal mercado para produtos manufaturados. Em 2023, o Brasil exportou US$ 36,9 bilhões (cerca de R$ 184,5 bilhões) para os EUA, enquanto as exportações para a China somaram US$ 104,3 bilhões (aproximadamente R$ 521,5 bilhões). No mesmo ano, as importações dos Estados Unidos para o Brasil totalizaram US$ 38 bilhões (cerca de R$ 190 bilhões).
Caso o presidente Trump realmente coloque em prática a sua ameaça, as tarifas de 100% poderiam dificultar o acesso de produtos brasileiros ao mercado dos Estados Unidos. Isso resultaria em aumento de preços e reduziria a competitividade dos produtos brasileiros.
Essas declarações fazem parte de um padrão de ameaças tarifárias de Trump a diversos parceiros comerciais. O presidente eleito também indicou que pode impor tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e do México, além de 10% sobre produtos da China, como parte de uma estratégia para pressionar esses países a adotarem medidas mais rigorosas no controle do tráfico de drogas e da imigração ilegal. Durante seu primeiro mandato, Trump esteve no centro de uma intensa guerra comercial com a China.


