Novas tarifas de Trump
No início de fevereiro, Donald Trump assinou um decreto que estabelece uma tarifa de 10% sobre todos os produtos importados da China. A medida tem um impacto significativo no comércio eletrônico nos Estados Unidos, afetando mais de 80% das importações realizadas por consumidores norte-americanos por meio de plataformas digitais.
Um dos principais efeitos dessa decisão é o fim da autorização conhecida como “minimis”, que permite a entrada de produtos de baixo custo sem a incidência de tarifas, desde que o valor do envio não ultrapassasse US$ 800 (R$ 3.960) por destinatário a cada dia.
Empresas como Shein e Temu se beneficiaram amplamente dessa regra, conseguindo expandir suas operações nos EUA sem arcar com altos custos tarifários. Esse modelo de negócio se tornou concorrente direto da Amazon, desafiando o gigante do comércio eletrônico no mercado americano.
Durante o primeiro mandato de Trump, essa brecha impulsionou o crescimento do comércio online entre China e EUA, levando as exportações chinesas de US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões em 2018) para US$ 66 bilhões (R$ 330 bilhões em 2023).
A Shein e a Temu desempenharam um papel essencial nesse crescimento, representando atualmente cerca de 17% do volume de envios para os Estados Unidos. A Shein, por exemplo, não tem sede na China, mas trabalha com fábricas chinesas para produzir suas roupas e enviá-las diretamente aos consumidores ao redor do mundo.
Para evitar impactos negativos das tarifas, sua controladora está sediada em Singapura, estratégia que ajuda a driblar algumas restrições comerciais impostas pelos EUA. Já você optou por transferir sua sede legal da China para a Irlanda, provavelmente para fortalecer sua atuação na Europa e minimizar os efeitos das novas tarifas americanas.


