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Exportações da China sobem 12,4% em março devido a tarifas de Trump

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As exportações da China cresceram 12,4% em março, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo a Administração Geral das Alfândegas, que divulgou os dados nesta segunda-feira, 14 de abril. Esse foi o maior aumento desde outubro de 2023 e ficou bem acima das previsões dos analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, que esperavam um crescimento de 4,4%. O resultado chama atenção não só pelo tamanho da alta, mas também pelo cenário em que ocorre: o agravamento da guerra comercial com os Estados Unidos.

Exportações da China sobem com impacto das tarifas dos EUA.
Apesar dos bons números em março, as projeções são desafiadoras. O Goldman Sachs cortou a previsão de crescimento do PIB da China de 4,5% para 4%, prevendo forte queda nas exportações para os EUA |Foto: Reprodução/Freepik

Segundo especialistas, o avanço das exportações se deve, em boa parte, à antecipação dos envios por parte das empresas chinesas, que procuram se proteger das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Em março, o governo de Donald Trump anunciou uma série de aumentos de impostos sobre produtos chineses, que chegaram a até 145%. Washington justifica essas medidas alegando que Pequim estaria ligada ao comércio ilegal de fentanil, uma droga sintética de alto poder viciante.

Enquanto as exportações aumentaram, as importações da China caíram 4,3% em março em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Esse resultado aponta para a fragilidade da demanda interna no país, apesar das ações do governo para incentivar o consumo. Mesmo assim, a China fechou o mês com um superávit comercial significativo de US$ 102,64 bilhões (R$ 599,41 bilhões), superando a previsão de US$ 77 bilhões (R$ 449,68 bilhões) feita pelo Wall Street Journal.

Em relação aos parceiros comerciais, os Estados Unidos continuam a ter papel de destaque. As exportações chinesas para o mercado americano subiram 9,1% em março, apesar das tensões comerciais. Por outro lado, as importações de produtos dos Estados Unidos caíram 9,5% no mesmo período.

Ao mesmo tempo, a China ampliou suas vendas para países do Sudeste Asiático, com destaque para Vietnã e Tailândia, que tiveram crescimentos de 19% e 18%, respectivamente. Esses países, que também haviam sofrido com tarifas dos Estados Unidos, agora estão se beneficiando de isenções temporárias.

Tensões comerciais

Na sexta-feira, 11 de abril, os Estados Unidos reduziram parcialmente as tensões ao suspender, por um período limitado, as tarifas sobre vários produtos eletrônicos, como smartphones e semicondutores — setores importantes tanto para a economia da China quanto para o fornecimento mundial. No entanto, o presidente Donald Trump deixou claro que essa decisão é temporária. “Vamos conversar com as empresas”, disse ele, sem especificar quais setores poderão ter benefícios permanentes.

Em resposta, a China adotou uma postura firme. O país aumentou as tarifas sobre produtos americanos para até 125%, mostrando que está disposta a reagir para proteger seus interesses estratégicos. “O céu não vai cair”, afirmou Lu Daliang, porta-voz da alfândega chinesa, segundo a mídia estatal, numa tentativa de acalmar os mercados e reforçar a confiança na economia local.

Apesar do bom resultado em março, as expectativas para os próximos meses são desafiadoras. O banco Goldman Sachs reduziu sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China, de 4,5% para 4%, devido à previsão de forte queda nas exportações para os Estados Unidos. Analistas da Capital Economics observam que pode levar anos para que as exportações chinesas voltem aos níveis atuais, por causa da gravidade das barreiras comerciais.

O governo da China deve divulgar, ainda nesta semana, os números do PIB do primeiro trimestre. A atenção estará voltada para a próxima reunião do Politburo, que deve discutir novas medidas de estímulo econômico para enfrentar as dificuldades. Com uma meta de crescimento de cerca de 5% para 2025, a China busca equilibrar as pressões externas com políticas internas para estimular o consumo e manter a estabilidade da economia diante das incertezas globais.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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