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Guerra comercial deixa Brasil no radar da China; entenda

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O Brasil registrou um desempenho histórico em seu comércio exterior no primeiro trimestre de 2025, movimentando impressionantes US$ 38,8 bilhões (R$ 228,69 bilhões). Esse avanço expressivo ocorre em um momento marcado pelo agravamento da disputa comercial entre Estados Unidos e China, posicionando o Brasil como um ator de relevância crescente no comércio internacional.

Guerra comercial fortalece exportações agrícolas do Brasil
China considera o Brasil como um parceiro confiável na oferta de produtos como a soja e a carne bovina, essenciais para seu abastecimento alimentar |Foto: Reprodução/Freepik

O acirramento das disputas entre as duas principais potências econômicas mundiais abriu espaço para que o Brasil ampliasse sua presença nas trocas globais. Com a elevação das taxas sobre produtos chineses por parte dos EUA, empresas da China têm voltado sua atenção para o mercado brasileiro.

A recente chegada de autoridades de alto escalão do Ministério da Agricultura chinês ao Brasil reforça esse interesse cada vez maior por parte do país asiático.

Apesar do aumento expressivo de 35% nas compras externas brasileiras, o país ainda mantém saldo positivo com a China: exportou US$ 19,8 bilhões (R$ 116,57 bilhões) e importou US$ 19 bilhões (R$ 111,91 bilhões). Ainda assim, é fundamental garantir um equilíbrio para proteger a indústria nacional contra eventuais prejuízos.

O momento atual traz tanto riscos quanto possibilidades para o Brasil. De um lado, existe a chance de aumentar as vendas externas, especialmente para o mercado chinês. De outro, há a preocupação com a entrada de produtos chineses que podem afetar a competitividade interna.

Para se fortalecer de forma duradoura, o Brasil precisa reindustrializar sua economia e ir além da simples exportação de matérias-primas. Preservar o superávit na balança comercial e promover o crescimento da indústria são medidas essenciais para sustentar a economia no futuro.

O crescimento expressivo das atividades de comércio exterior mostra que o Brasil tem se adaptado bem às transformações no cenário internacional. No entanto, é crucial adotar políticas que aproveitem essa conjuntura de forma estratégica, defendendo os interesses nacionais e incentivando um progresso equilibrado.

Guerra comercial entre EUA e China impulsiona agro brasileiro

A intensificação da guerra tarifária entre China e Estados Unidos tem criado vantagens para o setor agropecuário brasileiro, ao passo que traz dificuldades para os produtores norte-americanos. A análise foi publicada pelo jornal britânico Financial Times no último domingo, 13 de abril.

A explicação está no fato de a China considerar o Brasil como um parceiro confiável na oferta de produtos como a soja e a carne bovina, essenciais para seu abastecimento alimentar.

A matéria lembra que o Brasil foi amplamente beneficiado pela primeira rodada da guerra comercial promovida por Donald Trump entre 2017 e 2021, durante seu mandato presidencial.

Na atual retomada desse conflito, as exportações brasileiras do setor agropecuário tendem a ganhar ainda mais espaço, já que os EUA impuseram tarifas de até 145% sobre produtos chineses, e Pequim respondeu com tarifas de até 125% sobre produtos dos EUA.

“Esse cenário representa uma enorme vantagem para agricultores brasileiros e argentinos, fortalecendo significativamente o setor”, avaliou Ishan Bhanu, principal analista agrícola da empresa de dados Kpler, ao Financial Times.

Segundo ele, as consequências do conflito comercial podem durar mais que as próprias tarifas, pois os países asiáticos tendem a estreitar laços comerciais com a América do Sul.

Aumento de exportações

De acordo com dados de entidades do setor, as vendas brasileiras de carne bovina para o mercado chinês aumentaram cerca de 33% nos três primeiros meses de 2025, se comparadas ao mesmo período de 2024.

As importações chinesas de carne de frango também cresceram, com um salto de 19% em março na comparação anual.

Outro reflexo da alta demanda internacional foi o reajuste dos preços da soja brasileira. O produto passou a ser negociado com um adicional de US$ 1,15 (R$ 6,74) por tonelada em relação à soja americana — um cenário bem diferente do registrado em janeiro, quando a soja do Brasil era vendida com um desconto de US$ 0,25 (R$ 1,47).

“O governo chinês tem acelerado a busca por fornecedores estáveis de grãos e outras matérias-primas”, afirmou Rodrigo Alvim, diretor internacional do Grupo Minas Portuário, em entrevista ao Financial Times. “Isso tem impactado diretamente a procura por grãos dos EUA.”

Nos Estados Unidos, as exportações agrícolas destinadas à China recuaram 54% apenas em janeiro, consequência direta das tarifas que reduziram os ganhos das empresas chinesas que compram desses fornecedores.

A China, que normalmente adquire quase todo o sorgo e metade da soja dos EUA, tem interrompido suas compras, e especialistas já preveem que os embarques podem ser suspensos totalmente até maio, caso as barreiras comerciais permaneçam.

Com isso, o Brasil vem conquistando mais espaço nos mercados internacionais. Segundo Aurélio Pavinato, da SLC Agrícola, tanto a China quanto a Europa têm buscado diversificar seus fornecedores e veem o Brasil como uma opção segura e eficiente.

Como a guerra comercial incentivou investimentos?

A primeira guerra tarifária entre EUA e China, iniciada ainda durante o governo Trump, motivou uma onda de investimentos no setor agrícola brasileiro, enfraquecendo a posição dos Estados Unidos no mercado chinês. Entre 2016 e 2023, a fatia dos EUA nas importações alimentares da China caiu de 20,7% para 13,5%, enquanto a do Brasil subiu de 17,2% para 25,2%.

“Com a China em busca de novos parceiros comerciais e a União Europeia interessada em fontes estáveis de fornecimento, o Brasil está sendo cada vez mais procurado, o que eleva a demanda e os preços”, analisou Pavinato ao Financial Times.

Mesmo com os entraves logísticos e a necessidade de melhorias em infraestrutura, o Brasil se tornou um destino atrativo para investimentos chineses em transporte e produção.

Além disso, a União Europeia, que se prepara para retaliar os EUA com novas tarifas sobre produtos agrícolas, pode aumentar suas compras de proteína vegetal brasileira, pressionando ainda mais a demanda interna.

Há também uma expectativa crescente de que o Brasil consolide sua posição como um fornecedor global confiável de alimentos em grande escala, especialmente em um mundo preocupado com a segurança alimentar.

A concorrência com a China por insumos agrícolas pode elevar o preço das rações e, por consequência, encarecer os alimentos — um fator que desperta preocupação crescente entre os países europeus.

Leia também: Comércio entre Brasil e EUA bate recorde, apesar das tarifas

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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