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Brasil registra abertura de 1,4 milhão de pequenos negócios no primeiro trimestre do ano

O começo de 2025 trouxe boas notícias para quem empreende no Brasil. Segundo dados do Sebrae, foram abertos 1.407.010 novos pequenos negócios só nos três primeiros meses do ano. A maior parte dessas novas empresas (78%) foi registrada como Microempreendedor Individual (MEI), o que mostra que mais pessoas estão formalizando suas atividades.

Crescimento de novos negócios no Brasil em 2025
A taxa total de empreendedorismo no Brasil passou de 30,1% para 33,4%, o maior índice dos últimos quatro anos, segundo dados do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2024) |Foto: Reprodução/Freepik

Em comparação com o mesmo período de 2024, o número de MEIs cresceu 35%. Já as micro e pequenas empresas (MPEs), que costumam ter uma estrutura um pouco maior, aumentaram 28%. Esses números mostram que há mais confiança na economia e mais pessoas apostando no próprio negócio como forma de ganhar renda.

Esse crescimento acontece ao mesmo tempo em que o governo fortalece a Política Nacional de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas, criada para apoiar esse setor, que é importante para a economia e para gerar oportunidades de trabalho.

Crescimento nas regiões e nos setores

Os dados do Sebrae mostram que o empreendedorismo está crescendo em várias partes do país. As regiões Sudeste, Sul e Nordeste concentraram a maioria dos novos negócios. São Paulo lidera com 28,6% dos registros, seguido por Minas Gerais (10,9%) e Rio de Janeiro (7,8%). Isso se deve ao tamanho da economia desses estados, mas também há crescimento forte em outras regiões.

Estados como Ceará, Piauí e Amazonas tiveram aumentos acima de 50% no número de novas empresas em comparação com o ano passado. O Ceará cresceu 56,8%, o Piauí, 55,3%, e o Amazonas, 51,3%. Isso mostra que o empreendedorismo está se espalhando e chegando com força a regiões que antes tinham mais dificuldades para formalizar negócios.

O setor de Serviços continua sendo o principal motor do empreendedorismo no país, com 63,7% das novas empresas em março de 2025. Entre os serviços mais comuns estão transporte de cargas, entregas, salões de beleza, publicidade e ensino. Isso mostra que muitos brasileiros estão usando suas habilidades e recursos para abrir seus próprios negócios.

O Comércio aparece em segundo lugar, com 20,8% dos registros, seguido pela Indústria da Transformação, com 7,6%. Embora menor, esse número da indústria indica que há uma recuperação da produção, ainda que em ritmo mais lento, com chance de crescer conforme o apoio do governo avance.

Entre os MEIs, as atividades mais comuns são transporte de cargas e entregas, o que reflete o crescimento das compras online e da logística nas cidades. Já entre as micro e pequenas empresas, destacam-se os serviços de saúde, escritórios, restaurantes e publicidade — esse último setor continua se expandindo mesmo fora das grandes capitais.

Políticas públicas e ambiente favorável ajudam a impulsionar o empreendedorismo

O crescimento registrado no início de 2025 não aconteceu por acaso. Desde 2024, o governo federal vem colocando em prática a Política Nacional de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas. O objetivo dessa política é fortalecer esses negócios, com foco em aumentar a produtividade, incentivar a inovação e promover a inclusão econômica. Essa iniciativa tem sido vista como um dos principais motivos para o bom desempenho do setor.

A política é organizada em nove diretrizes e oito áreas de atuação. Entre as ações estão: diminuir a burocracia, facilitar o acesso ao crédito, oferecer capacitação e incentivar o uso de novas tecnologias. Ela também busca ajudar na formalização dos negócios, estimular a participação em cadeias produtivas, aumentar a competitividade e reforçar práticas responsáveis nas áreas ambiental, social e de gestão (ESG).

Outro ponto importante é que essa política reconhece a diversidade dos empreendedores brasileiros. Ela não se concentra apenas nos grandes centros urbanos, mas também em pequenas cidades e áreas rurais. Isso é essencial para garantir que as oportunidades cheguem a mais pessoas, inclusive mulheres, jovens, pessoas negras e indígenas, que muitas vezes enfrentam mais dificuldades para abrir e manter um negócio.

Segundo o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, a proposta é alcançar empreendedores de todas as regiões do país, criando condições mais justas para o crescimento de negócios sustentáveis. “Estamos levando essa política para todas as partes do país, com foco em produtividade, inovação e inclusão econômica”, disse ele em nota.

Dados do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2024) ajudam a entender esse cenário. A taxa total de empreendedorismo no Brasil passou de 30,1% para 33,4%, o maior índice dos últimos quatro anos. Isso quer dizer que um em cada três adultos brasileiros está envolvido em algum tipo de negócio, seja ele formal ou informal.

Outro dado importante é o aumento da Taxa de Empreendedores Estabelecidos — aqueles que têm um negócio há mais de 3,5 anos. Esse índice cresceu de 8,7% em 2020 para 13,2% em 2024. Isso mostra que os negócios estão amadurecendo, ficando mais estáveis e gerando empregos, tanto diretos quanto indiretos.

Esse avanço colocou o Brasil na sexta posição no ranking mundial de empreendedores estabelecidos, ficando à frente de países como Reino Unido, Itália e até Estados Unidos. Isso mostra a força e a capacidade de superação do empreendedor brasileiro, mesmo com os desafios econômicos e estruturais do país.

Outro ponto importante é a formalização dos negócios. O MEI (Microempreendedor Individual) tem sido uma porta de entrada para quem quer empreender de forma legal. Ele permite que trabalhadores autônomos tenham um CNPJ, emitam nota fiscal, tenham acesso à previdência e possam contratar um funcionário. Como o processo é simples e tem custos baixos, o MEI se tornou uma ferramenta importante de inclusão econômica.

Além disso, com o CNPJ, o empreendedor pode participar de licitações, conseguir crédito mais barato e aumentar sua rede de clientes. Tudo isso contribui para que o negócio cresça com mais segurança e sustentabilidade.

Leia também: O que fazer ao atingir o teto do MEI? Conheça os próximos passos e ajustes

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