A Enel Distribuição São Paulo registrou lucro líquido de R$ 214,6 milhões no segundo trimestre de 2026, resultado 195,07% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado, quando a companhia lucrou R$ 72,74 milhões.
O balanço foi divulgado nesta quarta-feira, 29 de julho, e mostra crescimento da receita, aumento dos investimentos e expansão da margem operacional, ao mesmo tempo em que a empresa segue sob análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que avalia a possibilidade de cassação da concessão da distribuidora na capital paulista.
A concessionária atende 24 municípios do estado de São Paulo, alcançando cerca de 18 milhões de habitantes, e atribui o desempenho financeiro ao aumento da margem do negócio, à atualização do ativo financeiro da concessão e ao controle dos custos operacionais.
Os números também refletem um cenário de reajustes nas tarifas de energia. A receita líquida da empresa chegou a R$ 5,83 bilhões entre abril e junho, avanço de 8,47% em relação ao mesmo período de 2025.

Receita, lucro e investimentos avançam no trimestre
Além do lucro, a Enel apresentou crescimento em outros indicadores financeiros importantes. O Ebitda, indicador que mede a geração operacional de caixa das empresas antes de juros, impostos e depreciação, alcançou R$ 1,13 bilhão no segundo trimestre, alta de 26,77% na comparação anual.
No acumulado do semestre, os investimentos da distribuidora chegaram a R$ 1,497 bilhão, aumento de 34,5% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas entre abril e junho foram aplicados R$ 807,7 milhões, crescimento de 28,3%.
Segundo a empresa, os recursos foram destinados principalmente à modernização da rede elétrica, ampliação da infraestrutura e aumento da capacidade de atendimento. Entre as ações destacadas no balanço estão a instalação de 700 equipamentos de telecontrole no primeiro semestre deste ano e o reforço das equipes de campo.
O número de colaboradores próprios e terceirizados também cresceu. A empresa informou um aumento de 7,7% no quadro operacional, com a contratação de 1.459 profissionais, medida que, segundo a distribuidora, faz parte do compromisso de melhorar a qualidade do serviço e aumentar a capacidade de resposta diante de ocorrências na rede.
Apesar do avanço dos resultados, as despesas operacionais também aumentaram. Os custos chegaram a R$ 1,84 bilhão, alta de 9,75%, influenciados por gastos com podas de árvores, reparos na rede e serviços emergenciais realizados após os temporais registrados no fim de 2025.
Empresa divulga resultados enquanto concessão segue sob análise
A divulgação do balanço acontece em meio ao processo aberto pela Aneel para avaliar a possível caducidade da concessão da Enel em São Paulo. O procedimento foi iniciado após a agência reguladora identificar problemas considerados graves na prestação do serviço, especialmente durante os grandes apagões registrados nos últimos anos.
A diretoria da Aneel entendeu haver elementos suficientes para dar continuidade ao processo que poderá extinguir antecipadamente o contrato da distribuidora, atualmente previsto para terminar em 2028.
No próprio balanço, a empresa informa que já apresentou sua defesa e as alegações finais à agência reguladora. Também destaca que o pedido para renovar antecipadamente a concessão permanece suspenso até a conclusão da análise.
A companhia havia protocolado, em março de 2025, um pedido para renovar o contrato por mais 30 anos, com base no Decreto nº 12.068/2024, que estabeleceu regras para a prorrogação das concessões de distribuição de energia com vencimento entre 2025 e 2031.
Embora uma nota técnica da própria Aneel tenha concluído que a Enel atende aos critérios formais para essa renovação, a análise ficou paralisada após a abertura do processo de caducidade.
Reajuste nas contas continua impactando consumidores
Enquanto divulga resultados positivos, a distribuidora também segue convivendo com reajustes nas tarifas de energia.
Desde julho de 2026, entrou em vigor um novo aumento autorizado pela Aneel. O reajuste médio aprovado foi de 7,75%, mas o impacto médio percebido pelos consumidores da área de concessão ficou em 10,18%, considerando os diferentes grupos tarifários.
No documento divulgado ao mercado, a diretoria da Enel afirma que o desempenho financeiro foi resultado da expansão da margem operacional, da atualização do ativo financeiro da concessão e da disciplina no controle das despesas.
Os indicadores apresentados mostram crescimento em praticamente todos os principais números da companhia no segundo trimestre. Ainda assim, o futuro da concessão segue dependendo da decisão final da Aneel, que deverá definir se a distribuidora continuará responsável pelo fornecimento de energia na maior área de concessão do país ou se o contrato poderá ser encerrado antes do prazo previsto.


