O mercado global de moda de luxo acaba de ser chacoalhado por uma transação bilionária. A italiana Prada anunciou a compra da grife Versace por € 1,25 bilhão, o equivalente à cerca de R$ 6,9 bilhões (ou US$ 1,4 bilhão, convertido para R$ 7,1 bilhões). A aquisição foi confirmada nesta quinta-feira (10), após semanas de negociações entre a Prada e a americana Capri Holdings, até então proprietária da Versace.
Segundo o comunicado oficial, os Conselhos de Administração das duas empresas já aprovaram o negócio, mas o fechamento da transação ainda depende de trâmites regulatórios e está previsto para ocorrer no segundo semestre de 2025.

Mais do que uma fusão entre duas grifes icônicas, a compra representa uma estratégia da Prada para ampliar sua presença global e competir diretamente com os gigantes do setor de luxo, como o grupo francês LVMH, dono das marcas Louis Vuitton e Dior.
A aposta da Prada na reestruturação da Versace
A Versace vem enfrentando um período de instabilidade, agravado pela saída de Donatella Versace da direção criativa no mês passado. A grife, conhecida por sua estética ousada e sensual, perdeu força no mercado e viu sua receita recuar nos últimos trimestres. Para a Prada, isso representa uma oportunidade: transformar esse momento de dificuldade em uma virada estratégica.
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Patrizio Bertelli, presidente da Prada, afirmou que a missão da empresa é revitalizar a Versace, sem apagar sua identidade original. Ele, ao lado da esposa Miuccia Prada, compartilha o comando do grupo e destacou o compromisso com a valorização do legado da grife adquirida.
“Nosso objetivo é dar continuidade ao legado da Versace, celebrando e reinterpretando sua estética ousada e atemporal”, disse Bertelli em nota à imprensa.
A expectativa do mercado é que a Prada invista de forma agressiva na reestruturação criativa e comercial da marca, com foco em reposicionar a Versace entre as líderes do setor.
Donatella dá aval e promete apoio
Apesar de ter se afastado da função executiva, Donatella Versace demonstrou apoio público à aquisição. A estilista, que comandava a criação da grife desde a morte do irmão Gianni, em 1997, afirmou confiar na nova fase que se inicia sob a gestão da Prada.
“É uma honra ter a marca nas mãos de uma empresa familiar italiana tão confiável, e estou pronta para apoiar esta nova era da Versace de todas as maneiras que puder”, disse.
Sua declaração foi vista como um gesto importante para garantir estabilidade e confiança dos consumidores e investidores durante o processo de transição.
Um movimento estratégico para o setor de luxo italiano
A compra fortalece a posição da Prada e dá novo fôlego ao setor de luxo italiano, que vinha sendo pressionado pela força de conglomerados internacionais, sobretudo franceses e norte-americanos. A consolidação de marcas locais sob uma liderança também italiana reacende a confiança no país como berço de grandes nomes da moda.
Além disso, a aquisição sinaliza uma tendência de centralização no mercado de luxo: grandes marcas comprando outras para diversificar portfólio, fortalecer canais de venda e ganhar escala.
Especialistas acreditam que a Prada deve preservar a sede da Versace em Milão, ao mesmo tempo em que insere práticas já consolidadas do seu próprio modelo de gestão, como maior eficiência produtiva, presença digital e expansão em mercados asiáticos.
Expectativas para o futuro
Com o fechamento da aquisição previsto para os próximos meses, o mercado acompanha atentamente os desdobramentos da operação. A reestruturação da Versace promete ser um dos principais desafios da Prada em 2025, especialmente no que diz respeito à reconquista de mercado e reformulação de identidade sem perder os elementos icônicos da marca.
A expectativa é que a fusão gere novas coleções, colaborações criativas e estratégias ousadas de marketing, além de uma maior presença digital e reposicionamento global da Versace.
A transação de R$ 7,1 bilhões é uma das maiores do setor neste ano e reforça o peso do mercado de moda italiano no cenário internacional. Ao unir duas potências históricas do design, a Prada aposta alto em criatividade, tradição e inovação — e pode sair na frente em uma nova era da moda de luxo.


