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Temu perde força após novas tarifas sobre importações chinesas

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O aplicativo de compras Temu, conhecido por oferecer produtos extremamente baratos importados diretamente da China, acaba de perder o posto de número 1 na Apple Store dos Estados Unidos.

O motivo principal foi a nova medida adotada pelo governo norte-americano, liderado pelo presidente Donald Trump, que eliminou uma importante cláusula comercial e aumentou consideravelmente as tarifas sobre importações chinesas.

A Temu ainda não se manifestou oficialmente sobre as mudanças e seus próximos passos. Porém, a empresa terá que reavaliar sua atuação nos EUA, um de seus mercados mais lucrativos até o momento | Foto: Reprodução/Temu
A Temu ainda não se manifestou oficialmente sobre as mudanças e seus próximos passos. Porém, a empresa terá que reavaliar sua atuação nos EUA, um de seus mercados mais lucrativos até o momento | Foto: Reprodução/Temu

A mudança impacta diretamente empresas como a Temu e a Shein — ambas chinesas e muito populares entre consumidores que buscam variedade e preços baixos. Com o fim da chamada cláusula de minimis, que permitia a entrada de pacotes de até US$ 800 sem cobrança de imposto, e com as novas tarifas que chegaram a até 125%, os produtos dessas plataformas passaram a ser taxados com uma média de 145% no território americano.

Esse novo cenário fez com que a Temu caísse para a quinta colocação no ranking de apps mais baixados na Apple Store dos EUA, segundo dados da última sexta-feira, 11 de abril. A plataforma vinha liderando o ranking há dois anos, impulsionada por uma estratégia agressiva de publicidade digital.

Impacto no comércio eletrônico e no bolso dos consumidores

A alteração nas regras comerciais afeta diretamente o modelo de negócios de empresas como a Temu, que se destacavam justamente por oferecer produtos com preços muito inferiores aos de concorrentes locais. Com as novas tarifas, a vantagem competitiva praticamente desaparece, e o custo final para o consumidor tende a subir consideravelmente.

Além disso, a desvantagem fiscal pode levar a uma diminuição na atratividade dessas plataformas, o que afeta também a dinâmica do mercado de e-commerce como um todo. A queda nos downloads da Temu é um indicativo disso: segundo dados da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, houve uma redução de 41% no número de instalações no primeiro trimestre de 2025.

Leia também: Tarifas dos EUA afetam Shein e Temu; entenda o efeito

A resposta da empresa à nova política tarifária parece ter sido a redução imediata nos investimentos em publicidade. Juozas Kaziukenas, analista do setor de comércio eletrônico, observou que a retração é localizada. “Eles não estão caindo em outros países, apenas nos Estados Unidos, o que sugere que a empresa desativou sua publicidade por lá”, afirmou.

Shein também é afetada

Assim como a Temu, a Shein — conhecida por seu catálogo extenso de moda rápida — também está entre as empresas mais atingidas. Ambas operavam com foco em consumidores americanos, aproveitando o de minimis para enviar seus produtos sem pagar taxas.

Com o fim desse benefício e o aumento das tarifas, o custo de operação dessas empresas dispara, tornando o mercado americano menos interessante. Isso deve provocar uma reorganização nas estratégias de expansão global dessas marcas, que talvez passem a mirar com mais força outros mercados, como Europa e América Latina.

A influência da política nos negócios

A decisão de Trump faz parte de uma política econômica mais protecionista que visa estimular a produção e o consumo de produtos feitos nos EUA, além de pressionar a China nas disputas comerciais entre os dois países. Contudo, o impacto dessa política não recai apenas sobre as empresas estrangeiras, mas também sobre os consumidores americanos, que podem sentir no bolso o efeito da alta de preços.

Essa é uma movimentação que, para analistas do setor, pode beneficiar empresas locais de e-commerce e varejo. Com as plataformas chinesas em desvantagem, apps americanos como Amazon e Walmart podem ganhar mais espaço ao oferecer preços competitivos sem as novas tarifas.

E agora, Temu?

A Temu ainda não se manifestou oficialmente sobre as mudanças e seus próximos passos. Porém, a empresa terá que reavaliar sua atuação nos EUA, um de seus mercados mais lucrativos até o momento. A dúvida que fica é se a Temu e outras empresas similares conseguirão absorver parte desses custos para manter a clientela ou se perderão espaço definitivamente.

Por outro lado, consumidores atentos a preços devem começar a sentir os efeitos dessa nova política em breve, o que pode influenciar decisões de compra e abrir caminho para o surgimento de soluções alternativas — como plataformas de revenda local ou e-commerces com estoque já nos EUA, evitando as novas tarifas.

No fim das contas, a queda do Temu na Apple Store pode ser apenas o primeiro reflexo de uma mudança mais ampla e duradoura na relação entre o consumidor norte-americano e as gigantes chinesas do e-commerce.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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