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Empresas globais sentem os efeitos das tarifas dos EUA e revisam projeções para baixo

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Uma nova onda de tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos começou a reverberar entre as empresas globais. Companhias como McDonald’s, General Motors (GM), Samsung, UPS e outras já reduziram suas projeções de crescimento para este ano, alertando investidores e consumidores para os impactos negativos da política tarifária do presidente Donald Trump.

As medidas, que impõem cobranças adicionais sobre diversos produtos importados, têm elevado custos de produção e ameaçado o consumo interno. Segundo analistas, isso pode gerar uma alta na inflação norte-americana e forçar o banco central do país (Federal Reserve) a subir os juros novamente, dificultando ainda mais o acesso ao crédito por parte de empresas e consumidores.

Além de afetar o bolso do cidadão comum, que passa a consumir menos, o cenário também sinaliza uma possível desaceleração da maior economia do mundo.

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Queda no consumo preocupa setor de alimentação

O grande diferencial do McDonald’s não está apenas na venda de alimentos, mas na valorização dos imóveis onde suas lojas estão localizadas | Foto: Reprodução/Divulgação empresas
McDonald’s percebe queda no consumo e preocupa analistas e investidores | Foto: Reprodução/Divulgação McDonald

O McDonald’s, maior rede de fast food do mundo, anunciou nesta semana uma queda de 1% nas vendas globais no primeiro trimestre de 2025, contrariando as expectativas de alta de quase 1% previstas por analistas. Nos Estados Unidos, seu principal mercado, a retração foi ainda mais acentuada: 3,6%, a maior desde a pandemia da Covid-19.

De acordo com o G1, a CEO da empresa, Chris Kempczinski, explica que as atuais condições de mercado estão entre as mais desafiadoras enfrentadas pela rede. Outras marcas do setor, como Domino’s Pizza, Starbucks e Chipotle, também já indicaram que o consumidor norte-americano está gastando menos com refeições fora de casa.

O recuo no consumo é atribuído ao aumento dos preços provocado pelas tarifas, ao crescimento da inflação e à crescente incerteza econômica.

Setor automotivo revê lucros

As montadoras também começaram a recalcular seus passos. A General Motors, por exemplo, reduziu sua previsão de lucro para 2025 e estima um impacto financeiro de até US$ 5 bilhões — o equivalente à cerca de R$ 28,3 bilhões.

A Volkswagen, por sua vez, já admite que suas margens de lucro devem ficar no limite inferior do que havia sido projetado. Mesmo com a recente ordem presidencial que prevê isenções para alguns componentes, o setor segue com dificuldades para manter competitividade.

Outras fabricantes, como Mercedes-Benz, Stellantis e Volvo Cars, ainda não divulgaram novas projeções financeiras. A Porsche, que não possui fábricas nos Estados Unidos, informou que as tarifas já provocaram um prejuízo de € 100 milhões — cerca de R$ 553 milhões — somente entre abril e maio deste ano.

Tecnologia sente os dois lados do impacto

O setor de tecnologia vive um momento de contrastes. Por um lado, a Microsoft surpreendeu positivamente com os resultados do seu serviço de nuvem Azure, mas, por outro, o braço de games da empresa, o Xbox, já anunciou aumentos nos preços dos consoles e acessórios, atribuindo a decisão aos efeitos das tarifas sobre as cadeias de suprimento globais.

A Samsung também expressou preocupação. A gigante sul-coreana de eletrônicos indicou que as tarifas norte-americanas devem reduzir a demanda por smartphones. A companhia registrou lucro operacional de ₩ 6,7 trilhões — equivalente a US$ 4,68 bilhões ou R$ 26,5 bilhões — no primeiro trimestre, com crescimento de apenas 1,2% em relação ao ano anterior. A leve alta foi impulsionada por uma corrida de consumidores e empresas para antecipar compras antes da possível escalada nos preços.

Incertezas à frente

O Senado norte-americano chegou a tentar barrar algumas das novas tarifas, mas as medidas não avançaram. O governo Trump, por sua vez, sustenta que a política é necessária para proteger a indústria nacional e combater práticas comerciais desleais de outros países, como a China. No entanto, as respostas do mercado e das grandes corporações têm sido claras: as tarifas estão pesando no desempenho financeiro e na confiança de consumidores e investidores.

Ainda nesta semana, são aguardados os resultados de gigantes como Amazon e Apple, que devem trazer novos sinais sobre o impacto das tarifas no setor de eletrônicos. O mercado especula que novos impostos sobre gadgets e dispositivos eletrônicos possam ser anunciados em breve, agravando o cenário para as empresas do ramo.

Para consumidores ao redor do mundo, inclusive no Brasil, os efeitos podem vir em forma de aumento nos preços de produtos importados e possíveis atrasos no lançamento de novos modelos de celulares, carros e outros itens de consumo.

Com o impacto das tarifas ganhando dimensão global, cresce a pressão para que os Estados Unidos reconsiderem suas estratégias comerciais. Por enquanto, o que se vê é um mercado mais cauteloso e uma economia mundial à espera de definições mais claras.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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