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Fortnite fica indisponível para iPhones e iPads; entenda

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A Epic Games, desenvolvedora norte-americana de jogos eletrônicos conhecida mundialmente por títulos como Fortnite e pelo motor gráfico Unreal Engine, anunciou nesta sexta-feira, 16 de maio, que o jogo Fortnite está novamente indisponível para usuários de iPhones e iPads em todo o mundo.

A medida foi tomada após a Apple impedir o relançamento do game tanto na App Store dos Estados Unidos quanto na loja alternativa que a Epic planejava lançar na União Europeia. A decisão reacende uma disputa que já se arrasta há quatro anos entre as duas empresas.

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O impasse é mais um capítulo de uma briga judicial e de regras que começou em 2020 |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A informação foi divulgada pelo perfil oficial de Fortnite na rede social X (antigo Twitter). Na publicação, a Epic declarou que “a Apple bloqueou nosso envio do Fortnite, impedindo seu lançamento na App Store dos EUA e na Epic Games Store para iOS na União Europeia”. Segundo a desenvolvedora, a consequência prática dessa ação foi tornar o jogo globalmente inacessível em dispositivos iOS.

Em resposta, a Apple comunicou à agência Associated Press que havia solicitado especificamente à Epic Suécia que removesse a loja americana da submissão. A justificativa, segundo a Apple, era evitar impactos na distribuição do jogo em outros mercados, especialmente na Europa, onde normas mais flexíveis estavam prestes a permitir lojas alternativas no iOS. A empresa afirmou ainda que não retirou nenhuma versão do Fortnite já existente em mercados alternativos.

Conflito judicial e disputas regulatórias reacendem tensão

O impasse marca mais um capítulo de uma complexa batalha judicial e regulatória que começou em 2020. Naquele ano, a Epic Games processou a Apple nos Estados Unidos sob acusações de práticas anticompetitivas. A principal queixa era de que a Apple obrigava os desenvolvedores a usar seu sistema próprio de pagamentos dentro dos aplicativos, o que resultava em altas taxas — geralmente 30% do valor de cada transação.

Em 2021, após um julgamento de um mês, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers, da Califórnia, rejeitou a maioria das acusações da Epic, mas impôs uma mudança importante: a Apple deveria permitir que os desenvolvedores informassem aos usuários sobre opções de pagamento externas. Isso afetaria diretamente a arrecadação da empresa com comissões sobre compras realizadas dentro dos aplicativos.

A Apple recorreu da decisão, mas perdeu em todas as instâncias, inclusive na Suprema Corte dos Estados Unidos. Em resposta, passou a permitir links para meios de pagamento externos, mas anunciou uma taxa de 27% sobre essas transações — apenas 3% a menos que a taxa original, o que gerou novas críticas.

A Epic Games, insatisfeita com a maneira como a Apple implementou a decisão judicial, abriu novo processo. Após meses de litígio, a mesma juíza Rogers concluiu que a Apple havia violado a decisão anterior e, no mês passado, emitiu uma ordem de desacato civil. A sentença proibia a Apple de cobrar qualquer comissão sobre sistemas alternativos de pagamento — decisão que abriu espaço para que a Epic planejasse a volta do Fortnite à App Store norte-americana.

Europa amplia pressão sobre monopólio da App Store

Paralelamente, a Epic também trabalhava para relançar o jogo na União Europeia por meio de sua própria loja de aplicativos, a Epic Games Store, agora possível graças às novas regras do bloco que obrigam a Apple a permitir lojas concorrentes no iOS. A expectativa era de que o Fortnite voltasse a estar disponível para usuários europeus de iPhones nas próximas semanas.

Com a decisão da Apple de bloquear a nova versão do aplicativo, ambas as tentativas foram frustradas. Para a Epic, trata-se de um novo obstáculo na tentativa de restabelecer o acesso ao seu jogo mais popular no ecossistema iOS. Já para a Apple, o caso coloca mais uma vez em evidência seu modelo de negócios e o controle rígido sobre sua plataforma.

Enquanto isso, milhões de jogadores que utilizam dispositivos da Apple permanecem sem acesso ao Fortnite, cujo retorno depende agora de novos desdobramentos legais e técnicos tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Leia também: Gasto mundial com jogos de celular atinge US$ 65,7 bilhões

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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