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O que a Geração Z espera do mercado de trabalho?

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O dinheiro não é tabu

A Geração Z quer e exige clareza sobre remuneração. Falar sobre salário, benefícios, bônus e critérios de promoção é visto como respeito, não arrogância.

Esse é um ponto de atrito com gerações anteriores, como os Millennials e os Baby Boomers, que cresceram em ambientes onde falar de dinheiro era malvisto. Para os mais jovens, transparência financeira é sinônimo de justiça.

Segundo Merriman, esconder valores salariais ou aplicar regras subjetivas na progressão de carreira pode corroer a confiança e aumentar a rotatividade. Para conquistar esse público, é preciso abrir o jogo.

Processo seletivo é via de mão dupla

Um dos conselhos mais diretos da executiva para quem quer se destacar no processo seletivo: vá com a mentalidade de quem quer apoiar a empresa, não apenas ser apoiado.

“É fundamental que o candidato entenda como pode somar à cultura e aos objetivos da companhia”, diz Merriman. Em outras palavras: os jovens devem se apresentar de forma autêntica, e as empresas precisam retribuir com clareza sobre o que esperam de um colaborador.

Aceitação e empatia: os novos diferenciais corporativos

A Geração Z não quer máscaras, nem rituais. Busca empresas que promovam aceitação, diversidade, diálogo aberto e inclusão. E isso só é possível com ambientes onde vulnerabilidades possam ser discutidas com empatia e onde erros não sejam punidos com desconfiança.

Esse grupo quer empresas que se pareçam com suas vidas: menos hierarquia, mais colaboração, menos discurso, mais prática. Ambientes com rigidez excessiva ou falta de escuta ativa perdem atratividade.

Oportunidade para empresas brasileiras

No Brasil, os desafios são ainda maiores. Dados do IBGE (junho de 2025) mostram que 25,8% dos jovens entre 18 e 24 anos estão fora do mercado formal, enquanto muitos dos que trabalham enfrentam subemprego, jornadas exaustivas e baixa remuneração.

Essa desconexão entre expectativa e realidade evidencia a urgência de mudanças nas práticas de RH. Adotar políticas mais transparentes e ambientes com propósito pode ser o diferencial para empresas que querem atrair os melhores talentos da nova geração.

A Geração Z já não é o “futuro do trabalho”, ela é o presente. Com expectativas claras e valores mais amplos, os jovens pedem que as empresas repensem suas estratégias de comunicação, liderança e cultura.

Para gestores e empresários, a lição é simples: quem quiser atrair e reter talentos dessa geração precisa começar a escutar e agir com mais verdade, empatia e propósito.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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