Posicionamento cm temas sociais e políticos
Outro ponto crítico é o posicionamento das marcas em temas sociais e políticos. A Target, rede varejista americana, ainda sente os reflexos negativos de um boicote sofrido após reverter compromissos assumidos com a pauta de diversidade e inclusão. A professora Anjali Bal, da Babson College, destaca que os consumidores estão cada vez mais atentos à coerência entre discurso e prática. Isso também vale para os parceiros escolhidos.
Casos como o da Gap com o rapper Kanye West, encerrado de forma abrupta após declarações antissemitas do artista, também exemplificam como mudanças de cenário e crises de imagem podem exigir encerramentos de contratos antes do previsto. O acordo, firmado em 2020 e com duração estimada de 10 anos, terminou em 2022 com acusações mútuas e perdas bilionárias. A Gap teve uma queda de mais de 20% no valor de mercado na época, o que representou uma perda estimada de R$ 18 bilhões.
Para Margot Bloomstein, autora do livro “Trustworthy”, a comunicação clara e aberta com o público pode minimizar danos. “É melhor se antecipar e explicar o que aconteceu do que permitir que o consumidor crie suas próprias narrativas”, afirma.
Em um cenário onde o consumidor está mais crítico e informado, as collabs precisam ir além da criatividade e do marketing chamativo. Elas exigem planejamento, estratégia e, acima de tudo, compatibilidade de propósito. Afinal, nem toda parceria é feita para durar — mas o impacto de uma ruptura mal gerida pode durar por muito tempo
*Entrevistas concedidas ao Meio&Mensagem


