O aplicativo de delivery Keeta, da gigante chinesa Meituan, vai começar a operar na cidade de São Paulo em novembro deste ano. A informação foi divulgada em um vídeo nas redes sociais da empresa, publicado no dia 23 de julho. No vídeo, aparecem o CEO da Keeta, Tony Qiu, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e o cofundador da Meituan, Rongjun Mu. O conteúdo reforça o compromisso da empresa com o mercado brasileiro e sinaliza o início da sua operação no país.
Essa será a primeira atuação da Meituan no Brasil. Em maio, a empresa anunciou um investimento de 5,6 bilhões de reais para instalar suas operações no território nacional ainda em 2025. O anúncio foi feito durante uma cerimônia realizada em Pequim, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do CEO da Meituan, Wang Xing. O plano de entrada é robusto e visa ocupar um espaço relevante em um dos setores que mais crescem no Brasil: o delivery de comida.
Expansão com foco em empregos e pequenos negócios
Além da geração de postos de trabalho, a empresa projeta implementar no Brasil um modelo semelhante ao que já desenvolve na China, voltado para o fortalecimento dos pequenos comércios e restaurantes. A ideia é oferecer suporte técnico, ferramentas digitais e programas de capacitação que ajudem pequenos empreendedores a melhorar sua gestão, atrair mais clientes e aumentar a receita.

Esse tipo de investimento pode ter um impacto significativo entre as classes mais baixas, que frequentemente enfrentam barreiras para acessar oportunidades no mercado de trabalho tradicional. O setor de delivery já funciona como uma alternativa de renda para milhões de brasileiros, seja por meio do trabalho como entregador autônomo ou pela abertura de pequenos negócios que utilizam os aplicativos como vitrine e canal de vendas.
A chegada da Keeta acontece em um momento de transformação e disputa no setor. Nos últimos anos, o crescimento do delivery se acelerou, principalmente por conta da pandemia, que impulsionou o consumo remoto. Com o aumento da demanda, mais pessoas passaram a trabalhar nesse setor, que se tornou uma fonte de renda relevante para quem busca flexibilidade ou não consegue emprego com carteira assinada.
Disputa com gigantes do setor
O cenário atual do delivery no Brasil é altamente competitivo. O iFood, líder do mercado, foi recentemente proibido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de firmar contratos de exclusividade com redes que tenham mais de 30 unidades. Essa medida teve como objetivo estimular a concorrência e facilitar o crescimento de outras empresas no setor.
Esse novo ambiente permitiu que outras plataformas planejassem sua expansão no país. Além da Meituan com a Keeta, o Rappi anunciou que investirá 1,4 bilhão de reais nos próximos três anos. Já a 99Food, que havia saído do mercado, confirmou seu retorno com um investimento de 1 bilhão de reais. Com esse movimento, os aplicativos estão iniciando uma verdadeira guerra por espaço entre entregadores, restaurantes e consumidores.
As estratégias de atração incluem isenção de taxas para os estabelecimentos, aumento da remuneração de entregadores e programas de incentivo. Na prática, isso pode melhorar as condições de trabalho e gerar mais oportunidades para quem depende desse tipo de renda. Para os donos de pequenos restaurantes, especialmente os que operam em bairros periféricos e com baixo capital, a redução de custos e o suporte técnico podem representar a diferença entre fechar as portas ou manter o negócio funcionando.
Do lado do consumidor, a maior concorrência pode trazer benefícios diretos. Com mais empresas disputando o mercado, é comum o surgimento de promoções, fretes gratuitos, descontos e melhorias no atendimento. Isso torna o serviço mais acessível, especialmente para as famílias de renda mais baixa, que veem nas ofertas uma forma de consumir alimentos de restaurantes gastando menos.
Com lançamento previsto para novembro, a Keeta deve divulgar em breve informações sobre o processo de cadastro de entregadores, parcerias com estabelecimentos e funcionamento da plataforma.


