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Roana: laço de mãe vira marca global de moda infantil

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O que começou como uma solução doméstica virou um negócio de projeção internacional. Em 1985, em Frutal (MG), Leila Bandeira Rosa decidiu fazer laços de cabelo para as filhas, Ana Patrícia e Ana Flávia, usarem na escola. A iniciativa, que despertou o interesse de outras mães, rapidamente se transformou em uma fonte de renda extra e, com o tempo, Roana nasceu e se tornou uma marca consolidada no setor infantil.

“Queria vê-las sempre bem arrumadas, desde a escola até passeios. Estavam sempre de laços de fitas nos cabelos”, conta Leila, que hoje, aos 64 anos, comanda a empresa ao lado da filha Ana Patrícia, de 44 anos.

Leila Bandeira Rosa e Ana Patrícia Rosa dividem a gestão da Roana, marca que nasceu de um laço feito em casa e hoje exporta para países como EUA e Arábia Saudita | Foto: Arquivo pessoal
Leila Bandeira Rosa e Ana Patrícia Rosa dividem a gestão da Roana, marca que nasceu de um laço feito em casa e hoje exporta para países como EUA e Arábia Saudita | Foto: Arquivo pessoal

Primeiros passos do negócio familiar

O reconhecimento local veio quando outras mães passaram a encomendar os acessórios. “Vi a oportunidade de fazer uma renda extra para comprar algumas coisas para as crianças que estavam fora do nosso orçamento”, relembra Leila. A sala de casa se transformou em um pequeno ateliê, que logo exigiu ajuda extra. “Transformei a sala em nosso ateliê e logo precisei contratar bordadeiras para me ajudarem”, conta.

Com o crescimento da demanda, a sala da casa da família foi transformada em fábrica. Em pouco tempo, Leila e o marido passaram a viajar para cidades vizinhas, oferecendo os acessórios diretamente nas lojas. “A estratégia foi começar a viajar nas cidades vizinhas e outros estados. Nessa época, meu marido começou a viajar comigo para irmos visitar lojas infantis e apresentar nossas peças. Foi um trabalho incansável de visitar loja por loja infantil em cada cidade que visitávamos.”, conta.

Crescimento gradual e salto nacional da Roana

O crescimento foi construído aos poucos, com a marca ganhando visibilidade por meio da participação em feiras do setor infantil. “Naquela época ainda não existia rede social, então o trabalho era boca a boca mesmo. Fomos sentindo como nossas peças eram aceitas pelos clientes e então começamos a pensar em participar das principais feiras de moda infantil”, diz a empreendedora.

Foi por meio desses eventos que a Roana chegou a grandes lojistas e começou a receber pedidos de todo o país. Hoje, a produção mensal gira em torno de 5 mil peças, todas feitas em Frutal, com mão de obra local. A empresa também exporta para países como Estados Unidos, Canadá e Arábia Saudita.

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Equipe feminina e estrutura profissionalizada

A empresa emprega mais de 150 pessoas, sendo a maioria mulheres e mães e mesmo não tendo sido uma escolha intencional, Leila se mostra orgulhosa por construir uma equipe feminina. “Aqui no interior de Minas essas funções ainda são majoritariamente femininas. Hoje enxergando isso, temos orgulho da equipe que construímos e de oferecer fonte de renda a tantas mulheres”, afirma.

A estrutura familiar se manteve ao longo das décadas. Leila é responsável pela produção e pelas compras, enquanto Ana Patrícia cuida das áreas administrativa e comercial. “Encontramos uma forma de dividir as tarefas, de modo que uma complementa o trabalho da outra. Eu fico por conta da produção e das compras, e a Ana Patrícia é responsável pelo comercial e o administrativo.
Já o desenvolvimento e a criação das coleções, fazemos juntas e com a colaboração da nossa equipe feminina, sem a contratação de estilistas. Por isso, acredito que temos um DNA muito próprio”, destaca.

A entrada da nova geração modernizou os processos da empresa. “O que foi um divisor de águas, para mim, foi a parte de informática, sistemas de controle, logística, análise de dados, programação. Essas áreas sempre ficaram por conta dos meus filhos. O meu mundo é criação e produção”, explica Leila.

Internacionalização e legado familiar

O salto para o mercado externo foi consolidado com a regular participação em feiras e a expansão da rede de lojistas. Hoje, a Roana está presente em pontos de venda internacionais, sem abandonar as raízes no interior de Minas.

“Ver que com todo o esforço conseguimos criar nossa família com o nosso trabalho e ainda ser reconhecida, por onde passamos é uma sensação de missão cumprida”, afirma Leila.

Sobre a continuidade da empresa, ela se mostra otimista: “Tenho meus dois netos Guilherme e João Rafael que já trabalham comigo na empresa, conciliando com os estudos. Quem sabe já é a terceira geração vindo aí.”

“É uma história de afeto, trabalho e insistência. Começou com um laço pra mim, e virou o que virou”, finaliza Ana ao relembrar de toda a trajetória da Roana.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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