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Ações da Azul disparam mais de 30% em um dia, mas especialistas pedem cautela

As ações da Azul (AZUL4) tiveram uma alta histórica na última terça-feira, 9 de setembro. Em apenas um dia, os papéis da companhia aérea subiram 31,3% e, em uma semana, acumulam valorização de 122%.

Ações da Azul sobem
Apesar do salto impressionante, analistas do mercado financeiro pedem cautela: a situação da empresa ainda é delicada e cheia de riscos | Foto: Reprodução/ Wikimedia

O que aconteceu

Nos últimos três dias de negociações na Bolsa de Valores, os papéis da Azul subiram mais de 19% em cada sessão. Na terça-feira, fecharam a R$ 1,51, com alta de 31,3%. Durante o pregão, chegaram a disparar mais de 60%.

Esse desempenho chamou ainda mais atenção porque ocorreu em um dia ruim para o mercado como um todo: o Ibovespa, índice que reúne as principais ações do Brasil, caiu 0,59%.

Mesmo com essa recuperação, no acumulado de 2024 as ações da Azul ainda caem 57,34%. Desde junho, elas eram negociadas a centavos e classificadas como penny stocks — apelido dado a ações muito baratas, geralmente de empresas em dificuldades financeiras.

Esse tombo aconteceu após o pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, em maio, por meio do chamado Chapter 11. Esse mecanismo permite que empresas endividadas renegociem dívidas sem precisar parar suas atividades.

O principal motivo para essa disparada foi um fenômeno conhecido como short squeeze — em português, “aperto dos vendidos”.

Funciona assim:

  • Alguns investidores acreditam que a ação vai cair e, para ganhar dinheiro com isso, vendem ações alugadas (que não são deles) esperando recomprá-las mais baratas depois.
  • Mas, se a ação sobe em vez de cair, eles são obrigados a recomprar rapidamente para não perder ainda mais.
  • Essa corrida para recomprar aumenta a procura e, consequentemente, o preço da ação dispara.

No caso da Azul, foi exatamente isso que aconteceu: muitos apostavam na queda, mas a alta forçou uma corrida de compras, alimentando o movimento.

Outros fatores que ajudaram

Além desse efeito técnico, a economia também deu uma queda no preço do petróleo: o combustível é um dos maiores custos de uma companhia aérea. Como o petróleo caiu e a Petrobras reduziu o valor do querosene de aviação, as despesas da Azul ficaram menores.

Dólar em queda: o real se valorizou e o dólar caiu 12,16%. Como empresas aéreas têm muitos custos em dólar (como manutenção de aviões e dívidas), isso ajudou a reduzir pressões financeiras. Cenário global: a expectativa de que os EUA possam reduzir os juros aumentou o apetite de investidores por ações brasileiras.

Por outro lado, nem tudo são boas notícias. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determinou que Azul e Gol suspendam voos compartilhados até que um acordo entre as duas seja analisado. Há suspeita de prática de cartel, o que pode atrapalhar os planos da empresa.

Por que ter cautela?

Apesar da disparada, especialistas destacam que:

  • O movimento é mais técnico e de curto prazo (efeito do short squeeze) do que resultado de uma melhora real e consistente da empresa;
  • A Azul segue em recuperação judicial nos EUA, enfrenta desafios complexos de mercado e ainda carrega uma dívida elevada que limita sua capacidade de investimento;
  • A companhia ainda precisa reorganizar suas finanças, operações e estratégias de crescimento para se tornar realmente estável e competitiva novamente no setor aéreo.

Além disso, é importante lembrar que movimentos bruscos de valorização em ações, como o que ocorreu com a Azul, geralmente atraem muitos investidores em busca de ganhos rápidos, mas podem esconder riscos elevados.

A falta de fundamentos sólidos, somada às incertezas regulatórias e à concorrência acirrada no setor, tornam difícil prever se a empresa conseguirá sustentar esse ritmo. Por isso, especialistas recomendam cautela, ressaltando que investir em empresas em recuperação judicial exige paciência, análise cuidadosa e tolerância a grandes oscilações.

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