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Reestruturação: Natura se desfaz da Avon em seis países e foca na América Latina

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A Natura deu mais um passo importante na reorganização de seus negócios. A companhia anunciou na última segunda-feira, 15 de setembro, a venda das operações da Avon em seis países: Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana.

Natura avança na venda de ações da Avon
O comprador é o Grupo PDC, que assume a gestão dessas unidades | Foto: Reprodução/ Divulgação/ Natura

O valor do acordo foi simbólico, de apenas US$ 1,00 (cerca de R$ 5,30), mas acompanhado de outro ponto relevante: o pagamento de US$ 22 milhões (cerca de R$ 117 milhões) que a Avon Guatemala devia a uma subsidiária da Natura no México. Esse valor será quitado no fechamento da operação.

Mesmo com a surpresa inicial, o mercado reagiu positivamente. As ações da Natura (NATU3) chegaram a cair após a abertura, mas terminaram o pregão com alta de 2,17%, cotadas a R$ 8,94.

O que significa essa venda?

A decisão faz parte da estratégia da Natura de reduzir a presença em mercados considerados pouco rentáveis ou deficitários. A empresa já havia comunicado que pretende encerrar operações em 41 países e, com essa transação, seis deles já foram resolvidos.

Na prática, a venda não elimina completamente a presença da marca na região. A Natura continuará fornecendo produtos acabados e também atuará como licenciadora da Avon nesses países, ou seja, permitirá o uso da marca mediante contrato.

Segundo analistas, o resultado foi melhor do que se esperava. Isso porque os ativos vendidos geravam mais despesas do que receitas e, ao mesmo tempo, a Natura conseguiu recuperar um valor expressivo em recebíveis — a dívida de R$ 117 milhões que será paga pela Avon Guatemala. Esse fator, após os ajustes de impostos, representa um impacto positivo no balanço da companhia.

Alívio na dívida e foco na América Latina

Um dos principais desafios da Natura tem sido a redução da dívida líquida, que cresceu nos últimos anos após grandes aquisições e expansão internacional. Muitos dos ativos colocados à venda são considerados “pesados” para o caixa da empresa, já que demandam recursos, mas não geram retorno proporcional.

Com a operação anunciada, a Natura reduz um pouco desse peso. Analistas avaliam que o impacto positivo no caixa é modesto, mas simbólico, porque sinaliza a execução de um plano maior: concentrar esforços nos mercados mais estratégicos, em especial a América Latina, onde a empresa tem forte presença.

No entanto, ainda existem riscos. A expectativa é de que, com a venda total dos ativos deficitários, possa haver deterioração de até R$ 1 bilhão na dívida líquida. Mesmo assim, esse movimento é visto como parte necessária do processo de simplificação dos negócios.

O próximo passo: resolver a Avon Internacional

O grande desafio que ainda permanece para a Natura é a venda da chamada Avon Internacional, que reúne operações em diferentes países fora do eixo principal da empresa. Essa divisão já está classificada como “mantida para venda” desde o segundo trimestre de 2025, mas ainda não teve desfecho.

Entre os braços da Avon à venda, o setor conhecido como Avon CARD (que cobre a América Central e República Dominicana) era considerado menos problemático. Por isso, sua negociação foi vista como mais simples de concluir. No entanto, os principais pontos de consumo de caixa ainda estão ligados a outras operações internacionais da Avon, que precisam ser resolvidas.

A expectativa do mercado é que a venda dessas unidades mais pesadas seja o verdadeiro divisor de águas para a saúde financeira da Natura. Ainda assim, a transação atual é interpretada como um sinal positivo de que a empresa segue no caminho de executar seu plano de longo prazo.

Perspectivas para a Natura

Com suas ações sendo negociadas a múltiplos considerados razoáveis em relação ao lucro projetado para os próximos anos, a Natura segue sob observação de investidores. Apesar da melhora pontual, a recomendação de alguns bancos para os papéis continua neutra, ou seja, sem forte indicação de compra ou venda.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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