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Temporal destrói fábrica da Toyota em SP e paralisa toda a produção no Brasil; entenda

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A Toyota interrompeu toda a sua produção de veículos no Brasil após o temporal que destruiu parte da fábrica de motores da montadora em Porto Feliz (SP). O incidente ocorreu na última segunda-feira, 22 de setembro, e deixou as unidades de Sorocaba e Indaiatuba, responsáveis pela montagem de modelos como Corolla, Corolla Cross e Yaris, completamente paralisadas. O novo SUV Yaris Cross, que seria lançado em outubro, também teve seu cronograma suspenso. Não há previsão de retorno das atividades.

Temporal destrói fábrica da Toyota
Segundo a empresa, mais de 90% da estrutura de Porto Feliz foi comprometida, com imagens mostrando alagamentos e parte do teto arrancado pela força do vento | Foto: Reprodução/ Wikimedia

O complexo, inaugurado em 2016, é considerado estratégico, pois fornece motores para toda a operação da Toyota na América Latina. Só em 2023, a planta produziu mais de 100 mil unidades, incluindo versões híbridas flex.

Temporal teve impacto direto na produção

A paralisação afeta cerca de 6.700 trabalhadores das três fábricas no interior paulista. Embora o prejuízo financeiro ainda não tenha sido detalhado, especialistas avaliam que a interrupção representa um duro golpe para a montadora, que vinha ampliando seus investimentos no país. Em 2023, a Toyota havia anunciado um aporte de R$ 11 bilhões até 2030, que incluía a produção do Yaris Cross e atualizações de modelos como o Corolla.

Com a fábrica de motores inutilizada, a empresa informou que está buscando alternativas em unidades de outros países, para tentar reativar ao menos parte da produção. No entanto, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, há possibilidade de que a retomada plena só ocorra em 2026.

Trabalhadores terão férias coletivas e layoff

Até o dia 1º de outubro, todos os funcionários terão seus dias abonados. Em seguida, a empresa concederá férias coletivas de 20 dias. Após esse período, a Toyota pretende recorrer ao layoff, que é uma suspende temporariamente os contratos de trabalho, mas mantém os vínculos empregatícios. A proposta será votada em assembleia virtual pelos trabalhadores e pode durar de dois a cinco meses.

Essa medida é comum em momentos de crise na indústria automotiva, permitindo que empresas ganhem fôlego financeiro sem recorrer a demissões em massa. Durante o layoff, os empregados recebem cursos de qualificação custeados pela empresa e pelo governo, e parte do salário é paga pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Consequências econômicas

O impacto da paralisação vai além da Toyota. A rede de fornecedores da montadora, que inclui empresas de autopeças, logística e serviços, também deve sentir os efeitos. Analistas lembram que a Toyota é a quarta maior montadora em participação de mercado no Brasil.

Com a suspensão, haverá menos veículos disponíveis nas concessionárias, o que pode elevar preços no curto prazo e prejudicar as vendas no último trimestre. O lançamento do Yaris Cross, um SUV compacto voltado para concorrer com Jeep Renegade e Volkswagen T-Cross, também fica em suspenso, frustrando expectativas do setor.

Defesa Civil e investigações

A fábrica de Porto Feliz foi isolada e passa por vistoria da Defesa Civil. A Toyota destacou que todos os colaboradores estão bem e que a prioridade, neste momento, é a segurança. A companhia também agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas de fornecedores, clientes e autoridades.

Futuro incerto

Ainda não está claro como a Toyota lidará com o cronograma de investimentos já anunciado. O complexo de Sorocaba, que receberia parte desses recursos, depende diretamente dos motores de Porto Feliz. Caso a recuperação leve realmente anos, a montadora terá de rever seus planos para o mercado brasileiro.

Mesmo assim, a empresa garante que está confiante na superação da crise. Confira a nota oficial da Toyota:

“A Toyota informa que, felizmente, encontram-se bem todos os seus colaboradores e prestadores de serviço afetados pelas fortes chuvas e ventos que danificaram severamente a estrutura da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), na última segunda-feira (22/09), e que segue cuidando das pessoas de forma ativa.

Ainda nesse sentido, a companhia aproveita a oportunidade para agradecer as várias manifestações de solidariedade recebidas de fornecedores, concessionários, governo, fabricantes e clientes. Também manifesta sua solidariedade a todas as pessoas que vivenciaram esse episódio sem precedentes.

No que tange à Planta de Porto Feliz em si, o levantamento de danos prossegue com bastante cuidado, a fim de permitir o desenvolvimento dos respectivos planos de reparo, mantendo a segurança das pessoas como a maior prioridade.

Em uma primeira análise, a retomada da planta de motores deverá levar meses e, considerando essa situação, a empresa está buscando alternativas de fornecimento de motores junto a unidades da Toyota em outros países, com o objetivo de retomar a produção de veículos nas plantas de Sorocaba (SP) e Indaiatuba (SP).

Por esse motivo, no dia de ontem a Toyota iniciou tratativas com os sindicatos em busca de alternativas que visem à manutenção dos empregos dos colaboradores das três unidades produtivas. As propostas serão apresentadas a partir de hoje, para votação nos próximos dias e, assim que aprovadas, serão aplicadas de forma emergencial.

Mesmo diante desse cenário desafiador, a Toyota do Brasil segue confiante na superação de todos os obstáculos para uma rápida recuperação de suas atividades de produção de motores e veículos no país.”

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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