Os endereços corporativos mais disputados de São Paulo estão atingindo limites de preço e disponibilidade. Dados obtidos com exclusividade pelas consultorias Colliers e Buildings apontam que a taxa de vacância (percentual de um imóvel que está desocupado ou vago) em regiões como Avenida Faria Lima e Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, é uma das menores da cidade, e o custo do metro quadrado está em níveis históricos.
A escassez de novas entregas e os altos valores têm impulsionado um movimento de migração de empresas para outras regiões da capital.

Custo elevado e falta de espaço pressionam empresas
De acordo com a Colliers, o aluguel médio de escritórios de alto padrão (classe A+) na Avenida Faria Lima chegou a R$ 316 por metro quadrado ao mês, com taxa de vacância de apenas 2%. Na Avenida Juscelino Kubitschek, o preço médio está em R$ 293/m², com vacância de 4%. Esses valores representam o triplo da média registrada no conjunto da cidade, estimada em R$ 101/m².
Para efeito de comparação, o custo mensal de um espaço de 300 m² na Faria Lima ultrapassa R$ 94,8 mil, sem considerar despesas como condomínio e IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana). Segundo o CEO da Colliers, Ricardo Betancourt, “a empresa que não precisa estar na Faria Lima acaba olhando outras regiões. Vemos uma absorção maior em áreas como Pinheiros e Chucri Zaidan”.
A ausência de novos empreendimentos também contribui para o quadro. O terceiro trimestre de 2025 não registrou entregas significativas de torres corporativas, e a previsão de novas áreas até o fim do ano é considerada baixa diante da demanda.
Busca por novos CEPs corporativos
A saturação das regiões mais valorizadas vem provocando a descentralização do eixo empresarial de São Paulo. Locais que antes eram considerados periféricos para o mercado corporativo, como Santo Amaro, Marginal Pinheiros e Chucri Zaidan, começam a receber novas empresas e projetos de escritórios.
O levantamento da Colliers mostra que Santo Amaro tem a maior taxa de vacância (65%), com aluguel médio de R$ 32/m², o mais baixo entre as regiões analisadas. Já a Marginal Pinheiros apresenta vacância de 45%, com valor médio de R$ 46/m². O Itaim Bibi, apesar da taxa de vacância de 33%, ainda é uma das regiões mais caras, com R$ 257/m².
Esse movimento amplia o mapa corporativo paulistano, reduzindo a concentração em bairros tradicionais como Faria Lima, JK e Paulista. Para empresas de médio porte, o custo mais baixo fora do eixo nobre representa uma economia significativa.
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Ranking das regiões mais caras de São Paulo
| Região | Vacância | Preço médio pedido (R$/m²) |
|---|---|---|
| Nova Faria Lima | 6% | 316 |
| JK | 4% | 293 |
| Itaim Bibi | 33% | 257 |
| Faria Lima | 2% | 240 |
| Vila Olímpia | 16% | 151 |
| Paulista | 5% | 130 |
| Pinheiros | 10% | 128 |
| Chucri Zaidan | 16% | 104 |
| Berrini | 6% | 94 |
| Barra Funda | 26% | 79 |
| Chácara Santo Antônio | 23% | 78 |
| Marginal Pinheiros | 45% | 46 |
| Santo Amaro | 65% | 32 |
| Média da cidade | 17% | 101 |
Fonte: Colliers (3º trimestre de 2025)
Novos empreendimentos e tendência de descentralização
Segundo a Buildings, 11 imóveis corporativos Classe A+ estão em construção em São Paulo, com entrega prevista até dezembro de 2025. Juntos, somam 560 mil m² de área locável, o que representa uma desaceleração em relação ao trimestre anterior.
Desses projetos, 107 mil m² estão concentrados na região da Nova Faria Lima, o que reforça o foco dos incorporadores em áreas consolidadas, embora com oferta limitada.
Entre os empreendimentos mais relevantes estão o Esther Towers – Torre A, na Rua Engenheiro Mesquita Sampaio, com 45.387 m², e o River South, na Rua Agostinho Cantu, com 20.609 m². Outros projetos de destaque incluem o Nexo – Chácara Santo Antônio (12.383 m²) e o Berrini New One (10.000 m²).
A soma das novas áreas deve aliviar parte da pressão sobre os aluguéis, mas o ritmo de expansão é insuficiente para atender à demanda de grandes corporações que buscam sedes de alto padrão.
Impactos sobre o mercado e perspectivas
O alto custo dos imóveis comerciais em São Paulo reflete o movimento global de valorização dos ativos imobiliários pós-pandemia, impulsionado pela retomada do trabalho presencial e pela escassez de terrenos bem localizados.
Para empresas que não dependem de endereços de prestígio para atender clientes, o deslocamento para regiões mais baratas se torna uma alternativa estratégica. Esse processo é reforçado por políticas municipais de reurbanização e incentivos fiscais em zonas como Santo Amaro e Chucri Zaidan.
Especialistas apontam que, nos próximos meses, a combinação de juros mais baixos e demanda aquecida pode manter a valorização dos imóveis comerciais em áreas centrais, ao mesmo tempo em que abre espaço para novos polos corporativos na cidade.


