A revista Forbes divulgou o ranking Global de Melhores Empresas para Mulheres, que mostra 400 empresas de 36 países com boas práticas de igualdade entre homens e mulheres no trabalho. O levantamento, feito com a consultoria Statista, analisou políticas de inclusão, oportunidades de crescimento e condições de trabalho para funcionárias em grandes companhias do mundo.

A Roche Holding, do setor farmacêutico, ficou em segundo, e o National Bank of Canada ficou em terceiro. O top 5 ainda tem a Hewlett Packard Enterprise (HPE) e a IKEA.
Top 5 das melhores empresas para mulheres (Forbes 2025)
• Microsoft – EUA – Software e serviços de TI
• Roche Holding – Suíça – Medicamentos e biotecnologia
• National Bank of Canada – Canadá – Serviços financeiros
• Hewlett Packard Enterprise (HPE) – EUA – Tecnologia da informação
• IKEA – Países Baixos – Varejo e atacado
O ranking foi feito a partir de entrevistas com 120 mil mulheres de 26 países que trabalham em empresas internacionais. Elas responderam sobre salários, oportunidades de promoção, licença-maternidade, condições de trabalho e combate à discriminação. Também foi analisado o número de mulheres em cargos de chefia e conselhos, para ver o quanto as empresas realmente valorizam a igualdade.
A Forbes usou três tipos de pontuação:
• Employer Brand Score – opinião das funcionárias sobre a própria empresa.
• Public Opinion Score – imagem pública da empresa em relação à igualdade de gênero.
• Leadership Score – número de mulheres em cargos de liderança.
• Brasil avança, mas ainda enfrenta desigualdade
Entre as empresas brasileiras da lista, a Natura &Co é a mais bem colocada, em 57º lugar (em 2024 estava em 39º). O Nubank (247º), Bradesco (269º), Vale (282º), Gerdau (358º) e Embraer também aparecem no ranking. A lista completa está disponível aqui.
A presença dessas empresas mostra avanços, mas o mercado de trabalho ainda tem grande diferença entre homens e mulheres. Conforme o 3º Relatório de Transparência Salarial e Igualdade, divulgado em abril de 2025, as mulheres ganham em média 20,9% menos que os homens em empresas com mais de 100 funcionários.
Mulheres chefiam mais lares
As mulheres já são a maioria das chefes de família no Brasil, segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025. São 40,2 milhões de lares chefiados por mulheres, contra 37,5 milhões liderados por homens. No Norte e no Nordeste, é mais comum que mais de uma família more na mesma casa, com 19,8% dos lares do Norte e 25,8% dos lares do Nordeste, respectivamente.
Já no Sudeste e no Sul, há mais casas com apenas uma pessoa, o que pode estar ligado ao envelhecimento da população e ao fato de as mulheres viverem mais.
Mesmo sendo maioria, elas ainda enfrentam mais dificuldades financeiras. Entre os lares chefiados por mulheres, 68,3% conseguem garantir alimentação suficiente. Entre os chefiados por homens, esse número sobe para 76,8%.
Jovens ainda enfrentam barreiras
As adolescentes de 14 a 17 anos são as que mais buscam trabalho no país, já que 34% delas estão procurando emprego, mesmo que nessa idade só possam trabalhar como aprendizes. Entre os meninos, o número é menor: 24,1%.
Por outro lado, as mulheres também são maioria entre os jovens que não estudam nem trabalham. Em 2023, havia 7,3 milhões de jovens entre 15 e 29 anos nessa situação, e quase 70% eram mulheres. Entre elas, quase metade (48,5%) eram pretas ou pardas, mostrando que a desigualdade de gênero e de raça ainda anda junta.
Muitas dessas jovens disseram que gostariam de trabalhar, mas não conseguem devido à falta de vagas ou da dificuldade em conciliar o trabalho com as tarefas da casa e o cuidado com filhos ou parentes.
Exploração e salários menores continuam
Mesmo com leis mais rígidas, a exploração no trabalho doméstico ainda existe. Em 2023, 17 mulheres e meninas foram resgatadas de situações análogas à escravidão, sendo a maioria
preta ou parda. A faixa de idade mais comum era entre 40 e 59 anos, mas também foram encontradas menores de idade.
A diferença de salário também segue grande. Mesmo com a Lei de Igualdade Salarial, as mulheres ganham 79,3% do que os homens recebem em empresas com mais de 100 funcionários. Em 2024, o salário médio feminino foi de R$ 3.565, enquanto o masculino chegou a R$ 4.495.
Das 31,6 mil empresas que participaram do relatório, 35,3% tinham políticas para contratar mais mulheres, 27,9% faziam ações para contratar mulheres negras e 24,3% promoviam inclusão de mulheres com deficiência. Mesmo assim, as mudanças acontecem devagar, principalmente nos cargos mais altos.


