O relatório Global Ad Spend Forecasts 2025, da agência japonesa de publicidade e relações-públicas, Dentsu, prevê crescimento de 4,9% em 2025 para os investimentos globais em publicidades em mídias, totalizando US$ 992 bilhões.
Desse total, os anúncios digitais devem movimentar US$ 678,7 bilhões, correspondendo a 68,4% de todos os gastos em publicidade. Convertendo para reais, considerando uma taxa de câmbio aproximada de R$ 5,20 por dólar (valor corrente médio recente), isso significa cerca de R$ 3,53 trilhões em investimento digital global previsto para 2025.
Leia também: Volta ao presencial: queda no home office expõe diferenças de renda e deslocamento no país, mostra IBGE

Algoritmos, IA e novos formatos de mídia: mudanças que se confirmam
Segundo o mesmo relatório, até 2027, cerca de 78,1% dos investimentos deverão ser impulsionados por algoritmos, ou seja, por sistemas que usam dados para definir onde, quando e como veicular anúncios.
Além disso, formatos emergentes aparecem com força: mídia de varejo (retail media), redes sociais, mídia programática, busca digital e plataformas de streaming com anúncios. A TV conectada (TV com internet) deve ganhar relevância, enquanto a TV aberta tradicional apresenta sinais de queda.
Impacto esperado nos mercados emergentes como o Brasil
No Brasil, o relatório da Dentsu projeta crescimento de 5,2% nos investimentos publicitários para 2025, com destaque para o digital que deve crescer 5,4% e para a televisão tradicional com alta de 5,8%.
Esse crescimento vem acompanhado de alterações no mix de mídia usado no país. A participação do digital, redes sociais e streaming tende a aumentar, enquanto mídias mais tradicionais (como TV aberta e mídia impressa) deverão perder espaço relativo.
Áudio, interatividade e experiências imersivas em alta
Entre as lideranças de mídia consultadas pelo Ad Ag (marca global focada em marketing, publicidade e mídia, que fornece notícias, análises e dados sobre o setor) há consenso de que o áudio vai ter um novo momento de crescimento em 2026. Esse formato vai além dos podcasts tradicionais e passa por áudio híbrido (vídeo + áudio), conteúdos para streaming musical e experiências auditivas vinculadas ao dia a dia das pessoas.
Também se espera grande avanço nas interações através de IA generativa, realidade virtual e realidade aumentada, com posicionamento de influenciadores físicas em lojas (social commerce) e uso de assistentes de voz, busca por voz e interfaces que combinam voz e imagem.
Busca, dados de primeira parte e social commerce
A busca digital vai continuar importante, inclusive com novas formas de pesquisar: busca por voz, busca social, e recomendações geradas por IA. O uso de first-party data (dados diretos das empresas sobre seus consumidores) ganha força, permitindo que marcas segmentem melhor seus anúncios sem depender tanto de dados de terceiros.
Outro movimento esperado para 2026 é o crescimento do social commerce — vendas diretas através de redes sociais — e parcerias entre marcas, influenciadores e varejistas para criar experiências de compra dentro dessas plataformas.
Canais tradicionais perdem fatia ou se reinventam
Relatórios como o da Dentsu indicam que mídia impressa, TV aberta e outdoors tradicionais ficarão com participação em queda ou crescimento muito lento. TV conectada, streaming com anúncios e formatos digitais devem tomar parte do orçamento migrado dessas mídias tradicionais.
No Brasil, espaços de mídia exterior digital (OOH digital), rádio, e mídia em pontos de venda também devem manter certa relevância, mas com menor ritmo de crescimento comparado ao digital.


