O mercado de delivery ganha uma nova fase de concorrência em 2025 com a chegada oficial da Keeta, aplicativo da gigante chinesa Meituan. A empresa anunciou sua estreia em São Paulo em 26 de novembro, após um período de testes iniciado em outubro nas cidades de Santos e São Vicente. O plano de investimento prevê R$ 5,6 bilhões até 2030, segundo informações divulgadas no evento de lançamento. O valor inicial destinado à operação brasileira é de R$ 1 bilhão.
A expansão acontece em meio ao retorno de novos players e ao redesenho estratégico das principais empresas do setor. Em um ambiente onde taxa cobrada, rapidez e confiança são determinantes, a entrada da Keeta amplia a competição e provoca ajustes em modelos de negócio já consolidados.

Leia também: Brasil cria 85 mil empregos formais em outubro, mas ritmo desacelera em meio a juros altos
Expansão começa pela Grande São Paulo
A partir de 1º de dezembro de 2025, o aplicativo passa a operar na capital paulista e em oito cidades da região metropolitana: Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco, Diadema, Itaquaquecetuba, Barueri e São Caetano do Sul. A Meituan também confirmou que o Rio de Janeiro será o próximo mercado, com estreia prevista para as semanas seguintes.
Segundo a empresa, a operação brasileira será a maior da Keeta fora da China. Cerca de 90% do time contratado no país é formado por profissionais brasileiros. A companhia inaugurará ainda neste ano seu novo escritório no bairro do Morumbi, além de um dos primeiros call centers da marca instalado na região Nordeste.
Taxas menores e foco em competitividade
A Keeta se posiciona prometendo taxas entre 2% e 3% menores do que o padrão do mercado para restaurantes. Outro diferencial é o repasse rápido: recebíveis liberados em sete dias, sem cobrança de taxa de crédito. No modelo tradicional, esse prazo pode chegar a 30 dias.
No evento de apresentação, o CEO Tony Qiu reforçou que a empresa não adota contratos de exclusividade com estabelecimentos, destacando que a estratégia é oferecer liberdade aos parceiros. A plataforma já acumula mais de 27 mil restaurantes cadastrados e 98,2 mil entregadores.
Para novos consumidores, o aplicativo oferece cupons de boas-vindas que podem chegar a R$ 200, além de frete gratuito em mais de 90% dos parceiros e compensação por atrasos de entrega com cupons de até R$ 50.
Iniciativas para entregadores e infraestrutura
A empresa anunciou investimentos de R$ 100 milhões voltados aos entregadores. Em dezembro, será inaugurado o primeiro centro de suporte da marca em São Paulo, localizado em Santo Amaro, com área de descanso, água, cozinha e banheiros. Entregadores poderão sacar ganhos diariamente sem taxas, participar de treinamentos presenciais e receber capacetes inteligentes gratuitos até o fim do ano.
A Keeta também trabalha em projetos experimentais, como entregas por drones. Na China, o modelo já soma cerca de 1 milhão de transações em Pequim. No Brasil, a utilização depende de regulamentação futura, especialmente para regiões remotas.
Mercado adota estratégias agressivas diante da concorrência
A chegada da Keeta ocorre em um momento em que o setor volta a registrar novos investimentos. A 99Food, da chinesa DiDi, retomou operações com aporte de R$ 350 milhões no Rio de Janeiro, parte de um pacote de R$ 2 bilhões. A empresa planeja alcançar cem cidades até 2026, utilizando municípios menores como testes.
O iFood e a Uber iniciaram em novembro uma fase de integração que permite acessar viagens da Uber pelo app do iFood e acessar o iFood pelo aplicativo da Uber. Belo Horizonte foi a primeira cidade piloto, com expansão prevista para dezembro em capitais como São Paulo, Brasília, Fortaleza e Salvador. A cobertura nacional será concluída em janeiro de 2026. As empresas também lançaram um plano conjunto que une o Clube iFood e o Uber One.
Já o Rappi anunciou investimento de R$ 1,4 bilhão pelos próximos três anos para dobrar sua base de restaurantes cadastrados, passando de 30 mil para 60 mil. A estratégia inclui taxa zero por três anos e incentivos a estabelecimentos que operam com entregas próprias ou via WhatsApp, canal que movimenta cerca de 130 milhões de pedidos no país.
Pressão competitiva sobre taxas e repasses
Especialistas avaliam que a entrada de novos competidores pressiona o setor a revisar taxas, logística e qualidade de repasse para parceiros. A Keeta aposta em vantagens financeiras e políticas de flexibilidade para atrair pequenos e médios restaurantes, enquanto empresas estabelecidas reforçam investimentos para manter participação de mercado.
No caso do iFood, há uma diversificação crescente, com expansão para categorias como mercado, farmácia e pet shop. Segundo a empresa, essas frentes cresceram 50% em volume de pedidos e faturamento em 2024. A Uber, que encerrou o Uber Eats em 2022, concentra esforços no modelo integrado com o iFood e nas entregas via Uber Flash.
Perspectivas para os próximos anos
Os investimentos anunciados e o ritmo de expansão posicionam o Brasil como um dos principais mercados globais de delivery. A Meituan indicou que a operação brasileira pode se tornar o centro internacional da Keeta, enquanto os movimentos de iFood, 99Food, Uber e Rappi evidenciam a disputa crescente por consumidores, restaurantes e entregadores.
O cenário aponta para uma competição baseada em taxas menores, entregas mais rápidas, ampliação de cobertura e inclusão de novos serviços logísticos, em um mercado que ultrapassa dezenas de milhões de pedidos mensais.


