Mercado adota estratégias agressivas diante da concorrência
A chegada da Keeta ocorre em um momento em que o setor volta a registrar novos investimentos. A 99Food, da chinesa DiDi, retomou operações com aporte de R$ 350 milhões no Rio de Janeiro, parte de um pacote de R$ 2 bilhões. A empresa planeja alcançar cem cidades até 2026, utilizando municípios menores como testes.
O iFood e a Uber iniciaram em novembro uma fase de integração que permite acessar viagens da Uber pelo app do iFood e acessar o iFood pelo aplicativo da Uber. Belo Horizonte foi a primeira cidade piloto, com expansão prevista para dezembro em capitais como São Paulo, Brasília, Fortaleza e Salvador. A cobertura nacional será concluída em janeiro de 2026. As empresas também lançaram um plano conjunto que une o Clube iFood e o Uber One.
Já o Rappi anunciou investimento de R$ 1,4 bilhão pelos próximos três anos para dobrar sua base de restaurantes cadastrados, passando de 30 mil para 60 mil. A estratégia inclui taxa zero por três anos e incentivos a estabelecimentos que operam com entregas próprias ou via WhatsApp, canal que movimenta cerca de 130 milhões de pedidos no país.
Pressão competitiva sobre taxas e repasses
Especialistas avaliam que a entrada de novos competidores pressiona o setor a revisar taxas, logística e qualidade de repasse para parceiros. A Keeta aposta em vantagens financeiras e políticas de flexibilidade para atrair pequenos e médios restaurantes, enquanto empresas estabelecidas reforçam investimentos para manter participação de mercado.
No caso do iFood, há uma diversificação crescente, com expansão para categorias como mercado, farmácia e pet shop. Segundo a empresa, essas frentes cresceram 50% em volume de pedidos e faturamento em 2024. A Uber, que encerrou o Uber Eats em 2022, concentra esforços no modelo integrado com o iFood e nas entregas via Uber Flash.
Perspectivas para os próximos anos
Os investimentos anunciados e o ritmo de expansão posicionam o Brasil como um dos principais mercados globais de delivery. A Meituan indicou que a operação brasileira pode se tornar o centro internacional da Keeta, enquanto os movimentos de iFood, 99Food, Uber e Rappi evidenciam a disputa crescente por consumidores, restaurantes e entregadores.
O cenário aponta para uma competição baseada em taxas menores, entregas mais rápidas, ampliação de cobertura e inclusão de novos serviços logísticos, em um mercado que ultrapassa dezenas de milhões de pedidos mensais.


