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Nubank demite 14 funcionários após protestos sobre fim do home office; sindicato tenta reverter cortes

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O Nubank desligou 14 funcionários desde a última sexta-feira, 7 de novembro. As demissões começaram após uma reunião virtual em que o CEO da empresa, David Vélez, comunicou que o trabalho totalmente remoto será reduzido. A decisão da fintech gerou forte reação entre os empregados e abriu uma crise interna que agora envolve o sindicato da categoria.

Durante a live, Vélez explicou que o modelo de trabalho vai mudar de forma gradual. A partir de julho de 2026, todos os colaboradores deverão comparecer ao escritório pelo menos duas vezes por semana. Em janeiro de 2027, a exigência sobe para três dias presenciais. O anúncio provocou mensagens de protesto no chat da transmissão, feitas por funcionários que desejavam manter o home office integral.

Nubank demite 14 funcionários.
O Nubank não divulgou publicamente o teor das conversas e não detalhou quais comportamentos foram considerados graves | Foto: Reprodução / Divulgação / Nubank

A empresa afirma que parte das mensagens descumpriu regras internas de conduta e, por esse motivo, 12 pessoas foram demitidas por justa causa.

No começo desta semana, o caso ganhou um novo capítulo. Na segunda-feira, 10 de novembro, mais dois trabalhadores foram demitidos, acusados de planejar um ataque aos sistemas internos do banco digital.

A fintech afirmou que zela pela segurança operacional, pelo sigilo de informações e pela proteção de clientes, agindo rapidamente quando identifica riscos. Assim como no primeiro caso, a companhia não deu detalhes sobre o conteúdo da investigação nem se pretende acionar autoridades. Com essas novas demissões, o total de pessoas desligadas desde o início da crise chegou a 14.

Sindicato se movimenta para tentar reverter demissões

A situação chegou ao Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, que emitiu um comunicado logo após saber das demissões adicionais. A entidade informou que pediu uma reunião direta com o Nubank para tentar negociar a reversão dos desligamentos.

O sindicato também convocou uma plenária com funcionários para a próxima quarta-feira, 12 de novembro. A orientação dada aos trabalhadores foi clara: evitar comentários públicos sobre o assunto, principalmente em redes sociais. A entidade argumenta que qualquer publicação pode ser usada pela empresa como justificativa para manter as demissões.

Justa causa pode afetar direitos trabalhistas

A fintech aplicou justa causa nos desligamentos, que é o tipo mais severo de demissão previsto na lei trabalhista. Quando isso acontece, o trabalhador perde direitos importantes, como:

  • Multa de 40% do FGTS;
  • Aviso prévio;
  • Saque do FGTS;
  • Seguro-desemprego.

A justa causa é usada quando a empresa entende que o funcionário cometeu uma falta considerada grave, como desrespeito às regras internas, ofensas a colegas ou superiores, vazamento de informações ou sabotagem. Cada caso é analisado individualmente, mas empresas costumam ser rígidas quando acreditam que a conduta coloca o negócio em risco.

Discussão sobre home office volta ao centro do debate

A polêmica ocorre em um momento em que empresas de tecnologia no mundo inteiro estão revendo os modelos adotados durante a pandemia. Após dois anos operando com grande parte das equipes em casa, muitas companhias passaram a cobrar retorno aos escritórios, alegando necessidade de integração, segurança de dados e produtividade.

Entre os trabalhadores, o sentimento é diferente. Para muitos, o home office trouxe vantagens como economia com transporte e alimentação, menos tempo perdido no trânsito e mais tempo com a família. Por isso, mudanças obrigatórias costumam gerar insatisfação.

No caso do Nubank, os funcionários ainda têm mais de dois anos até o início da exigência presencial, mas a reação imediata mostra que o assunto continua delicado entre profissionais do setor financeiro e de tecnologia.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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