A Telefónica S.A., uma das maiores companhias de telecomunicações da Europa e controladora da Vivo no Brasil, anunciou nesta terça-feira, 4 de novembro, um novo plano estratégico que prevê uma redução de custos de 3 bilhões de euros até 2030, o equivalente a R$ 17,4 bilhões, considerando a cotação atual de R$ 5,81 por euro.
O objetivo da medida é aumentar a eficiência operacional e reduzir despesas administrativas, em um momento em que o setor de telecomunicações enfrenta queda nas margens de lucro e forte pressão competitiva.
De acordo com comunicado oficial da empresa à Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV), órgão regulador espanhol, a meta de corte será alcançada por meio da digitalização de processos, redução de pessoal, racionalização de ativos e integração de plataformas tecnológicas entre suas subsidiárias.
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Dividendos pela metade em 2026
No mesmo dia, a Telefónica confirmou que reduzirá pela metade o pagamento de dividendos a seus acionistas em 2026, passando de 0,30 euro por ação em 2025 (R$ 1,74) para 0,15 euro (R$ 0,87) no próximo ano.
A decisão ocorre em meio à estratégia da companhia de priorizar investimentos em infraestrutura e modernização de rede, especialmente em tecnologia 5G e fibra óptica, além da transição energética.
A redução dos dividendos reflete também o cenário econômico desafiador vivido pela empresa, que enfrenta aumento nos custos de energia, juros elevados e desaceleração da receita em mercados maduros, como Espanha e Alemanha.
Segundo o balanço financeiro mais recente, referente ao terceiro trimestre de 2025, a Telefónica reportou lucro líquido de 1,27 bilhão de euros (R$ 7,38 bilhões), uma alta de 8,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com o avanço, o endividamento líquido da companhia continua elevado, em cerca de 26 bilhões de euros (R$ 151 bilhões).
Reestruturação e foco na América Latina
A Telefónica, que atua em mais de 12 países, tem direcionado seus esforços para reduzir a exposição em mercados europeus saturados e expandir sua presença em economias emergentes, especialmente na América Latina.
No Brasil, onde opera sob a marca Vivo, a empresa representa mais de 20% da receita global do grupo. Em 2024, a Telefônica Brasil (Vivo) registrou receita líquida de R$ 52,3 bilhões, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com lucro líquido de R$ 4,2 bilhões.
A controladora espanhola vê o país como um dos pilares de crescimento de longo prazo, principalmente pelo avanço da digitalização, da inclusão financeira via serviços móveis e da expansão de redes de fibra.
No entanto, analistas destacam que o ambiente competitivo no Brasil é intenso, com disputas por preços entre operadoras e altos custos de investimento em infraestrutura.
De acordo com levantamento da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações, o setor brasileiro movimentou cerca de R$ 315 bilhões em 2024, representando 2,9% do PIB nacional.
Setor enfrenta desafios globais
O plano de cortes da Telefónica segue uma tendência de reestruturação observada em várias gigantes do setor. Empresas como a Vodafone e a BT Group, do Reino Unido, também anunciaram medidas semelhantes nos últimos meses, com o objetivo de reduzir despesas e acelerar a transição digital.
Em 2023, a Vodafone confirmou o corte de 11 mil postos de trabalho em todo o mundo, enquanto a BT anunciou plano para eliminar 55 mil vagas até 2030.
Especialistas apontam que o avanço da inteligência artificial, da automação e da computação em nuvem está transformando profundamente o modelo de negócios das operadoras.
Relatório da Deloitte (2025) estima que as empresas de telecomunicações podem economizar até 25% dos custos operacionais com automação e uso de IA em processos administrativos e de atendimento.
No caso da Telefónica, o grupo já vem implementando soluções de IA para análise de dados de clientes e manutenção preditiva de redes, o que, segundo a companhia, tem reduzido custos e melhorado a qualidade do serviço.
Ações e impacto no mercado
Após o anúncio do plano de cortes e da redução dos dividendos, as ações da Telefónica na Bolsa de Madri caíram 3,2%, cotadas a 3,41 euros (R$ 19,82) por volta das 13h (horário local). O movimento reflete a reação cautelosa dos investidores, que temem uma possível desaceleração nos retornos de curto prazo.
Apesar disso, analistas do Banco Santander consideram que o plano de eficiência pode gerar ganhos sustentáveis a partir de 2027, com expectativa de aumento da margem operacional (Ebitda) em até 1,5 ponto percentual.
Segundo o Relatório Anual da Telefónica (2024), os custos operacionais do grupo superaram 32 bilhões de euros (R$ 186 bilhões), dos quais 60% estão relacionados a despesas de rede, tecnologia e pessoal.
Caminho até 2030
A meta de economizar 3 bilhões de euros deve ser concluída em cinco etapas, que incluem:
- Revisão de contratos e renegociação com fornecedores;
- Expansão de parcerias com startups de tecnologia;
- Venda de ativos não estratégicos;
- Digitalização completa das operações internas;
- Redução gradual de custos de capital.
De acordo com a empresa, as iniciativas fazem parte do plano “Telefónica 2030: Crescimento Sustentável”, que busca tornar o grupo mais competitivo e ambientalmente eficiente.
O programa também prevê o uso de energia 100% renovável em todas as suas operações até 2028 e a redução de 90% das emissões de carbono em comparação a 2015, segundo dados publicados no site corporativo da companhia.


