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Mulheres líderes discutem inclusão, carreira e equidade salarial em encontro nacional

Mulheres que ocupam cargos de liderança em empresas brasileiras participaram nesta terça-feira, 2 de dezembro, em Brasília, de um debate sobre desigualdade de gênero e raça no mercado de trabalho. O encontro reuniu executivas de diferentes setores para compartilhar experiências e destacar a importância de políticas e práticas que reduzam disparidades no ambiente corporativo.

A vice-presidente de Marketing e Comunicação de Marca de uma montadora multinacional, Alessandra Souza, relatou que sua trajetória nem sempre ocorreu em um ambiente aberto à diversidade de perfis.

Ela afirmou que, no início da carreira, enfrentou pressões sutis para adotar um estilo de gestão visto como mais masculino, o que não refletia sua identidade profissional. Segundo Alessandra, o avanço real em sua carreira ocorreu quando abandonou padrões que não atendiam às necessidades da equipe e da própria organização.

A executiva destacou que liderar uma equipe majoritariamente feminina, com diversidade regional e racial, reforçou a importância da pluralidade na tomada de decisão. Ela explicou que a construção de ambientes mais diversos contribui para ampliar perspectivas internas e gerar impacto econômico e social positivo.

Leia também: Brasil tem 3ª maior taxa de engajamento no ambiente de trabalho; entenda

Encontro nacional reúne líderes para discutir igualdade de oportunidades no trabalho | Foto: Reprodução/Canva

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Encontro nacional reúne líderes para discutir igualdade de oportunidades no trabalho | Foto: Reprodução/Canva

Liderança e maternidade como fatores de crescimento profissional

A diretora de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Ana Paula Repezza, também compartilhou sua experiência. Ela afirmou que atingiu o ponto mais alto da carreira ao retornar de sua licença maternidade, período que ampliou habilidades difíceis de adquirir apenas no ambiente corporativo.

Ana Paula disse que a maternidade fortaleceu sua capacidade de priorizar, delegar e confiar nas equipes, além de ajudá-la a desenvolver empatia com outras profissionais que enfrentam desafios semelhantes. De acordo com ela, esses fatores contribuem para formar líderes mais preparadas e conscientes da importância de apoiar outras mulheres nos espaços de decisão.

Programa público busca reduzir desigualdades estruturais

Ambas as executivas atuam em empresas participantes da sétima edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, iniciativa do Ministério das Mulheres voltada à promoção de igualdade nas relações de trabalho. O programa certifica organizações que implementam práticas internas para combater dinâmicas discriminatórias e apoiar modelos de gestão mais inclusivos.

Segundo informações oficiais do governo, o selo Pró-Equidade reconhece ações como revisão de critérios de contratação e promoção, investimentos em formação profissional, estímulo à participação feminina e de pessoas negras em cargos estratégicos e criação de comitês voltados à diversidade.

O seminário que reuniu as executivas também discutiu os dados do 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em novembro de 2025.

O documento apontou que mulheres ganham, em média, 21,2 por cento menos que os homens nas 54.041 empresas que enviaram informações ao governo. Nesse conjunto, a remuneração média feminina é de 3.908,76 reais, enquanto os homens recebem em média 4.958,43 reais. A referência dos dados é o Ministério do Trabalho e Emprego.

Ações internas fortalecem oportunidades e permanência no mercado

Atualmente, 88 empresas das cinco regiões do país fazem parte do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça. Ao longo de suas sete edições, 246 organizações já aderiram à iniciativa, incluindo nove participantes presentes desde a primeira fase. Os dados são do Ministério das Mulheres.

Uma dessas instituições é a Caixa Econômica Federal. Glenda Nóbrega, gerente executiva de diversidade e inclusão do banco, afirmou que políticas internas voltadas à diversidade são capazes de transformar a cultura corporativa e gerar ambiente mais favorável à ascensão profissional de mulheres, pessoas negras e pessoas com deficiência.

Glenda disse que três fatores foram decisivos em sua própria trajetória: o apoio de pessoas que a impulsionaram, a preparação constante para as oportunidades e a existência de um ambiente organizacional comprometido com a inclusão.

Impactos sociais e a ampliação do acesso a cargos estratégicos

A diretora de administração da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Tereza Cristina de Oliveira, afirmou que políticas públicas e iniciativas corporativas voltadas à diversidade podem impactar positivamente não apenas empresas, mas também toda a sociedade. Para Tereza, é fundamental que mulheres em cargos de liderança atuem ativamente na abertura de caminhos para outras profissionais, ampliando a presença feminina em funções estratégicas.

Ela ressaltou que a participação direta das mulheres em processos de mudança é essencial para enfrentar desigualdades estruturais e fortalecer ambientes de trabalho mais justos, segundo relatado pela Agência Brasil.

*Informações publicadas pela Agência Brasil.

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