A ideia de que o chamado horário nobre da mídia out of home OOH em São Paulo acontece no fim da tarde, por volta das 18h, vem sendo colocada em xeque por novos dados de circulação urbana. Um estudo conduzido pela Be Mediatech em parceria com o Grupo Abril aponta que o maior volume de pessoas circulando pelas ruas da capital paulista ocorre pela manhã, às 8h.
O levantamento indica que esse horário concentra cerca de 10% de todo o fluxo diário de pessoas na cidade. O dado contraria a percepção comum de que o pico de circulação está associado ao retorno do trabalho no fim do dia e traz novas referências para anunciantes, agências e pequenos negócios que investem em publicidade exterior.
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Como o estudo foi realizado?
A pesquisa foi desenvolvida a partir da integração de duas soluções tecnológicas. A primeira é a Colmeia, ferramenta de planejamento da Be Mediatech. A segunda é a Abril.Kross, plataforma do Grupo Abril voltada à mensuração de audiência mobile, com segmentações por perfil e formatos personalizados.
Por meio dessas ferramentas, as empresas conseguiram acessar dados de georreferenciamento baseados em dispositivos móveis, permitindo acompanhar em tempo real a circulação de carros e pedestres. O monitoramento foi feito ao longo de um mês e analisou o comportamento de deslocamento em 55 áreas diferentes da cidade de São Paulo.
Segundo as empresas, a metodologia possibilitou comparar fluxos em grandes avenidas e ruas internas de bairros, além de avaliar diferenças entre formatos tradicionais de mídia OOH, como relógios de rua e abrigos de ônibus.
Manhã supera o fim de tarde em volume de circulação
O principal achado do estudo mostra que o maior pico de circulação urbana ocorre às 8h da manhã. Esse horário sozinho representa aproximadamente 10% de todo o fluxo diário mapeado nas áreas analisadas. Em comparação, o período das 18h, tradicionalmente visto como o momento de maior movimento, não apresentou o maior volume de pessoas nas ruas.
De acordo com a análise, o início do dia concentra deslocamentos simultâneos de trabalhadores formais, estudantes, profissionais autônomos e pessoas que realizam atividades essenciais, como consultas médicas e compromissos bancários. Esse conjunto de deslocamentos cria um ambiente de alta densidade urbana em um intervalo de tempo relativamente curto.
Diferenças entre regiões e tipos de vias
O levantamento também identificou variações importantes entre diferentes regiões da cidade. A solução conjunta permitiu observar que avenidas de grande porte apresentam picos mais concentrados nos horários da manhã, enquanto ruas internas de bairros mantêm um fluxo mais distribuído ao longo do dia.
Além disso, a comparação entre tipos de ativos de mídia OOH mostrou que abrigos de ônibus tendem a concentrar maior audiência em horários específicos, ligados à rotina do transporte público, enquanto relógios de rua registram circulação mais constante, associada ao tráfego de pedestres.
Essas informações ajudam a refinar estratégias de comunicação, especialmente para marcas que buscam atingir consumidores das classes C e D, cuja rotina costuma estar mais ligada ao transporte coletivo e a deslocamentos em horários fixos.
Impacto para anunciantes e pequenos negócios
Para anunciantes, o estudo traz implicações práticas. A definição do melhor horário para veicular campanhas OOH passa a depender menos de suposições e mais de dados concretos sobre circulação real. Isso é especialmente relevante em um contexto de orçamentos mais restritos, no qual cada investimento precisa ser otimizado.
Pequenos e médios negócios, como comércios de bairro, redes de serviços e varejistas populares, podem se beneficiar ao alinhar mensagens publicitárias aos horários de maior presença do público-alvo. Uma campanha exibida pela manhã, por exemplo, pode alcançar consumidores antes da tomada de decisão de compra ao longo do dia.
Uso de dados mobile na mídia exterior
O estudo também reforça o papel crescente dos dados mobile na transformação da mídia OOH. A partir da análise de deslocamentos reais, é possível oferecer métricas mais próximas da lógica do ambiente digital, como alcance estimado e frequência, reduzindo incertezas históricas do meio exterior.
Segundo a Be Mediatech, a iniciativa busca solucionar um desafio recorrente de clientes e agências, que é escolher os melhores locais e horários para dialogar com o público em uma cidade marcada por desigualdades regionais e rotinas diversas, como São Paulo.
Mercado acompanha mudança de percepção
A divulgação do estudo foi feita pelo veículo Meio & Mensagem e repercutiu no mercado publicitário por apontar uma mudança relevante na compreensão do comportamento urbano. A noção de horário nobre, tradicionalmente associada à televisão e ao rádio, passa a ser reinterpretada no contexto da mídia exterior com base em evidências empíricas.
A análise de circulação urbana, apoiada em dados tecnológicos, amplia a capacidade de planejamento e oferece novas ferramentas para quem depende da visibilidade nas ruas da maior cidade do país.


