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NR-1 obriga empresas a cuidar da saúde mental: entenda a mudança

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Por que isso é importante?

Setores como publicidade, tecnologia e serviços são historicamente associados a alta pressão por resultados, metas agressivas e jornadas prolongadas, e isso impacta diretamente a vida do colaborador. Após a pandemia, o modelo híbrido e remoto intensificou a dificuldade de separar trabalho e vida pessoal.

Relatórios de consultorias globais como Deloitte e Gallup apontam aumento significativo nos índices de burnout desde 2020, além de correlação direta entre saúde mental e produtividade. De acordo com os relatórios, as empresas com ambientes psicologicamente seguros apresentam menor rotatividade, menos afastamentos, engajamento maior que o de outras empresas e melhor desempenho financeiro.

Impacto econômico

O impacto não é só na vida pessoal do colaborador, mas a falta de uma boa política de bem-estar, gera adoecimento mental, que automaticamente gera custos para as empresas que sofrem com queda na produtividade e alto índice de turnover. Outro fator considerado é o impacto na saúde financeira do colaborador, visto que muitas vezes, o adoecimento leva-o a demissão, com isso, ocorre a perda da renda e a falta de estabilidade.

A inclusão desses riscos na NR-1 também tem impacto econômico positivo no longo prazo, ao incentivar prevenção e reduzir afastamentos. investir em prevenção tende a ser mais barato do que arcar com processos trabalhistas, multas ou longos afastamentos.

O que muda para o trabalhador?

O empregado passa a ter:

  • Reconhecimento formal de que estresse e pressão excessiva podem ser risco ocupacional;
  • Maior respaldo em denúncias de ambiente hostil;
  • Ambiente mais estruturado para acolhimento.

Mas é importante destacar: a norma não elimina metas ou pressão por resultados. O que ela exige é gestão responsável e documentada desses riscos. Após o período educativo até maio de 2026, empresas poderão ser fiscalizadas por auditores do trabalho.

Empresas que não comprovarem realizar mapeamento adequado, plano de ação e monitoramento contínuo, poderão ser penalizadas.

Tendência internacional

A medida aproxima o Brasil de práticas já adotadas na União Europeia, onde riscos psicossociais são reconhecidos como parte das normas de segurança ocupacional há anos. A mudança também está alinhada às recomendações da OMS e da OIT.

A atualização da NR-1 marca uma mudança importante, pois faz com que a saúde mental deixe de ser apenas discurso corporativo e passe a ser exigência normativa. Para as empresas, representa adaptação e investimento em prevenção, para os trabalhadores, significa maior proteção formal contra ambientes nocivos. E para o mercado como um todo, pode ser um passo decisivo rumo a ambientes mais sustentáveis, inclusive financeiramente.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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